{"id":1047,"date":"2021-09-27T12:06:26","date_gmt":"2021-09-27T12:06:26","guid":{"rendered":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/?p=1047"},"modified":"2023-04-13T14:29:14","modified_gmt":"2023-04-13T14:29:14","slug":"ensaios-sobre-o-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/ensaios-sobre-o-amor\/","title":{"rendered":"ENSAIOS SOBRE O AMOR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ao amor pertencem a profundidade e a fidelidade do sentimento, sem os quais o amor n\u00e3o \u00e9 amor, mas somente humor. (C.G. Jung, 2005)<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O amor para ser amor necessita ser profundo e fiel. Se n\u00e3o for profundo e nem fiel, ele n\u00e3o passa de uma maldosa brincadeira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Amar \u00e9 uma viagem misteriosa onde cada um encontra o outro, e por tr\u00e1s do outro, encontra-se a si mesmo. Falar sobre o amor \u00e9 confrontar com o inexplic\u00e1vel e dar voz ao mundo imagin\u00e1rio de nossos pr\u00f3prios fantasmas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo o membro da Associa\u00e7\u00e3o Italiana de Psicologia Anal\u00edtica, Aldo Carotenuto (1994), todo discurso referente ao amor se torna o discurso sobre si mesmo, sendo assim, a confiss\u00e3o mais \u00edntima.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Carotenuto (1994), a ades\u00e3o imediata ao objeto amado \u00e9 um dos fen\u00f4menos caracter\u00edsticos da experi\u00eancia amorosa. Somos intensamente cativados pela presen\u00e7a e pela proximidade do outro. Quando estamos diante do amado experimentamos um sentimento incr\u00edvel de plenitude. A presen\u00e7a do outro se torna uma fonte de bem-estar e in\u00fameras possibilidades.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O amor vive e se alimenta do que acontece em n\u00f3s, daquilo que carregamos em nosso interior. A interioridade que menciono se refere ao pr\u00f3prio desejo que carregamos em n\u00f3s.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com Aldo Carotenuto (1994), quando nos apaixonamos por algu\u00e9m, o estado de enamoramento nos coloca sempre diante de algo incompreens\u00edvel. Podemos definir que o amor \u00e9 uma busca pela verdade interior que pertence a mim mesmo. Assim, na experi\u00eancia amorosa somos iluminados por significados f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos. O universo daqueles que se amam \u00e9 aberrante e inexplic\u00e1vel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme o apontamento de Carl Gustav Jung (2005) o amor se configura na forma de Eros, sendo um sentimento profundo que provoca o confronto com o nosso pr\u00f3prio ego. A partir da experi\u00eancia do amor n\u00f3s amadurecemos e ampliamos o campo da nossa consci\u00eancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aldo Carotenuto (1994) afirma que o amor tamb\u00e9m se caracteriza por uma altera\u00e7\u00e3o da nossa rela\u00e7\u00e3o com a realidade. Para o autor, estar alterado significa que a forma ps\u00edquica na qual carreg\u00e1vamos perdeu a sua fun\u00e7\u00e3o em determinado momento. Tal fato nos remete a pensar que o amor nos sugere transforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, sendo este movimento de mudan\u00e7a praticamente inevit\u00e1vel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sabemos tamb\u00e9m que na experi\u00eancia do amor o elemento mais forte deste movimento ps\u00edquico \u00e9 a proje\u00e7\u00e3o. Projetamos no outro aquilo que idealizamos e carregamos dentro de n\u00f3s mesmos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com Carotenuto (1994), o maior erro que podemos cometer \u00e9 pensar que o outro nos seduziu, na verdade eu fui seduzido por minhas pr\u00f3prias imagens que o outro foi capaz de evocar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atrav\u00e9s de tudo o que nos foi proposto at\u00e9 aqui podemos supor que o que eu amo, de fato, jamais ser\u00e1 completamente meu. O amor verdadeiro \u00e9 aquele que nutre e liberta, ao passo que o falso amor \u00e9 aquele que suga e sequestra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conforme os estudos propostos pelo professor Renato Dias Martino (2013), o conceito do amor \u00e9 o mais respeit\u00e1vel de todos os conceitos dentro da ordem das reflex\u00f5es. Somente atrav\u00e9s do amor \u00e9 que poder\u00e1 surgir qualquer esperan\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00f3 podemos nos tornar verdadeiramente seres humanos a partir do momento que somos nutridos pelo afeto contido na experi\u00eancia amorosa. Aprendemos o que \u00e9 o amor quando entramos em contato com o outro. Atrav\u00e9s do contato com o amado, posso tamb\u00e9m encontrar a mim mesmo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O amor em si \u00e9 a fonte geradora, criadora de todas as coisas. Portanto, todo amor verdadeiro profundo \u00e9 um sacrif\u00edcio, movido pela entrega. O pr\u00f3prio Carl Gustav Jung nos deixa uma profunda reflex\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O amor custa caro e nunca dever\u00edamos tentar torn\u00e1-lo barato. Nossas m\u00e1s qualidades, nosso ego\u00edsmo, nossa covardia, nossa ambi\u00e7\u00e3o, tudo isso quer persuadir-nos a n\u00e3o levarmos a s\u00e9rio o amor. Mas o amor s\u00f3 nos recompensar\u00e1 se o levarmos a s\u00e9rio.\u201d (Carl Gustav Jung, 2005)<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante da ideia que nos foi proposta por Jung (2005), \u00e9 poss\u00edvel ponderar que o amor em sua totalidade deve ser levado a s\u00e9rio. Quando levamos o amor a s\u00e9rio, consequentemente seremos recompensados por essa for\u00e7a t\u00e3o inexplic\u00e1vel capaz de gerar e mover todas as coisas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em um relacionamento amoroso \u00e9 importante permitir que o outro participe da maneira dele. Somos livres, no entanto, n\u00e3o possu\u00edmos as pessoas. Temos apenas amor por elas e nada mais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Evandro Rodrigo Trop\u00e9ia \/ Instituto Freedom<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Psicoterapeuta\u00a0 <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">CRP: 06\/143949<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Carotenuto, Aldo. Eros e Pathos: Amor e Sofrimento. Ed. Paulus. 1994<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">C. G. Jung. Sobre o Amor. Ed. Ideias &amp; Letras. 2005<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Renato Dias Martino. O amor e a Expans\u00e3o do Pensar. Ed. Vitrine Liter\u00e1ria. 2013<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao amor pertencem a profundidade e a fidelidade do sentimento, sem os quais o amor n\u00e3o \u00e9 amor, mas somente humor. (C.G. Jung, 2005) &nbsp; O amor para ser amor&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1043,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[43,265,45],"class_list":["post-1047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-psicologia-analitica","tag-carl-gustav-jung","tag-jung","tag-psicologia-analitica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1047"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1047\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1048,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1047\/revisions\/1048"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}