{"id":1181,"date":"2022-02-17T07:00:34","date_gmt":"2022-02-17T07:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/?p=1181"},"modified":"2023-04-13T14:35:25","modified_gmt":"2023-04-13T14:35:25","slug":"a-soma-de-todas-as-partes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/a-soma-de-todas-as-partes\/","title":{"rendered":"A soma de todas as partes"},"content":{"rendered":"<p>O homem \u00e9 fruto de si mesmo e de seu tempo. N\u00e3o seria diferente com Jung, ali\u00e1s essa \u00e9 uma das coisas que ele enxergou com clareza, em sua trajet\u00f3ria pessoal e profissional quando nos falou sobre o esp\u00edrito da \u00e9poca e o esp\u00edrito das profundezas. Abordaremos esse t\u00f3pico em outro momento.<\/p>\n<p>Para compreendermos seu momento de vida, sua personalidade, seus feitos e constru\u00e7\u00f5es, \u00e9 justo darmos aten\u00e7\u00e3o ao que estava acontecendo em seu tempo, digamos assim, aos outros grandes pensamentos e correntes influentes da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Ineg\u00e1vel que quando lemos seus livros, facilmente encontramos os nomes que ele deu justo valor. Um homem de grande honestidade intelectual.<\/p>\n<p>E vale considerarmos que ele era um homem dentro de um contexto hist\u00f3rico, pol\u00edtico e social que inclu\u00eda diversas \u00e1reas do saber. E ele como sendo bastante culto, estudioso e curioso, estava aberto a esses pensamentos e correntes de sua \u00e9poca, n\u00e3o se limitando \u00e0 psiquiatria e nem \u00e0 psicologia.<\/p>\n<p>Sonu Shamdasani (2009, p 194) nos detalha sobre isso na Introdu\u00e7\u00e3o do Livro Vermelho de Jung. Segundo ele:<\/p>\n<blockquote><p>As primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX testemunharam uma boa dose de experimenta\u00e7\u00e3o na literatura, na psicologia e nas artes visuais. Escritores tentaram abolir os limites das conven\u00e7\u00f5es da representa\u00e7\u00e3o a fim de explorar e mostrar todo o espectro da experi\u00eancia interior \u2013 sonhos, vis\u00f5es e fantasias. Eles experimentaram com novas formas e utilizaram formas velhas de jeitos novos. Da escrita autom\u00e1tica dos surrealistas \u00e0s fantasias g\u00f3ticas de Gustav Meyrink, os escritores aproximaram-se e colidiram com as pesquisas de psic\u00f3logos que estavam envolvidos em explora\u00e7\u00f5es semelhantes. Artistas e escritores colaboraram em tentativas de novas formas de ilustra\u00e7\u00e3o e tipografia, novas configura\u00e7\u00f5es de texto e imagem. Psic\u00f3logos buscaram vencer os limites de uma psicologia filos\u00f3fica, e come\u00e7aram a explorar o mesmo terreno que artistas e escritores. Demarca\u00e7\u00f5es claras entre literatura, arte e psicologia ainda n\u00e3o haviam sido estabelecidas; escritores e artistas emprestavam ideias de psic\u00f3logos e vice versa. Importantes psic\u00f3logos como Alfred Binet e Charles Richet, escreveram trabalhos ficcionais e dram\u00e1ticos, frequentemente sob pseud\u00f4nimos, cujos temas espelhavam aqueles de seus trabalhos \u201ccient\u00edficos\u201d. Gustav Fechner, um dos fundadores da psicof\u00edsica e da psicologia experimental, escreveu sobre a vida da alma e das plantas e sobre a Terra como um anjo azul. Ao mesmo tempo, escritores tais como Andr\u00e9 Breton e Philippe Soupault constantemente liam e utilizavam os trabalhos de pesquisadores ps\u00edquicos e psic\u00f3logos da anormalidade, tais como Frederick Myers, Th\u00e9odore Flournoy e Pierre Janet. W. B. Yeats utilizou a escrita autom\u00e1tica espiritualista para compor uma psicocosmologia po\u00e9tica em A Vision. Em todos os cantos, indiv\u00edduos procuravam novas formas com as quais representar as realidades da experi\u00eancia interior, numa busca por renova\u00e7\u00e3o cultural e espiritual.<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa \u00e9 uma amostra do contexto em que Carl Gustav Jung levou a cabo seu processo profundo de contato consigo mesmo e seus s\u00edmbolos, atrav\u00e9s de experimentos em que se colocava. Estamos falando de sua obra central: O Livro Vermelho. Ele \u00e9 fruto desses experimentos, numa \u00e9poca em que n\u00e3o havia divis\u00e3o entre psicologia e literatura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica<\/p>\n<p>Shamdasani, Sonu. Introdu\u00e7\u00e3o para O Livro Vermelho: Liber Novus. Trad. Gentil A. Titton e Gustavo Barcelos. Petr\u00f3polis: Vozes, 2009.<\/p>\n<p>Texto: Alessandra M. Esquillaro &#8211; CRP 06\/97347<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O homem \u00e9 fruto de si mesmo e de seu tempo. 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