{"id":1450,"date":"2023-01-30T07:00:12","date_gmt":"2023-01-30T07:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutofreedom.com.br\/blog\/?p=1450"},"modified":"2023-04-13T14:33:45","modified_gmt":"2023-04-13T14:33:45","slug":"a-projecao-no-contexto-analitico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/a-projecao-no-contexto-analitico\/","title":{"rendered":"A PROJE\u00c7\u00c3O NO CONTEXTO ANAL\u00cdTICO"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O conceito de Proje\u00e7\u00e3o, na concep\u00e7\u00e3o de Carl Gustav Jung (1875-1961) \u00e9 o processo espont\u00e2neo em que os conte\u00fados do inconsciente de algu\u00e9m s\u00e3o percebidos e direcionados para outras pessoas ou objetos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Carl Gustav Jung, em sua obra \u201cNatureza da Psique\u201d, no par\u00e1grafo 507, nos deixa o seguinte direcionamento:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Todos os conte\u00fados de nosso inconsciente s\u00e3o constantemente projetados em nosso meio ambiente, e s\u00f3 na medida em que reconhecemos certas peculiaridades de nossos objetos como proje\u00e7\u00f5es, como imagines [imagens], \u00e9 que conseguimos diferenci\u00e1-los dos atributos reais desses objetos. Mas se n\u00e3o estamos conscientes do car\u00e1ter projetivo da qualidade do objeto, n\u00e3o temos outra sa\u00edda sen\u00e3o acreditar, piamente, que esta qualidade pertence realmente ao objeto.\u00a0<\/span><\/i><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Podemos afirmar, ent\u00e3o, que nossas\u00a0 proje\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o produzidas no campo da consci\u00eancia e isto muitas vezes podem se configurar em figuras imagin\u00e1rias que n\u00e3o s\u00e3o correspondentes com a realidade do mundo externo.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Da mesma forma que nos inclinamos a supor que o mundo \u00e9 tal como o vemos, com igual ingenuidade supomos que os homens s\u00e3o tais como os figuramos. Infelizmente ainda n\u00e3o existe, aqui, uma F\u00edsica que nos mostre a discrep\u00e2ncia entre a percep\u00e7\u00e3o e a realidade. (Carl Gustav Jung; A natureza da psique \u2013 par\u00e1grafo\u00a0 507).<\/span><\/i><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em sua obra, \u201cAION: Estudos sobre o simbolismo de Si Mesmo\u201d, no par\u00e1grafo 17, Jung nos aponta que n\u00e3o se cria a proje\u00e7\u00e3o: ela j\u00e1 existe de antem\u00e3o. A consequ\u00eancia da proje\u00e7\u00e3o \u00e9 um isolamento do sujeito em rela\u00e7\u00e3o ao mundo exterior, pois em vez de uma rela\u00e7\u00e3o real o que existe \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria. As proje\u00e7\u00f5es transformam o mundo externo na concep\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, mas desconhecida. Por isso, no fundo, as proje\u00e7\u00f5es levam a um estado de autoerotismo ou autismo, em que se sonha com um mundo cuja realidade \u00e9 inating\u00edvel.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir do pensamento proposto por Jung, a proje\u00e7\u00e3o se torna um mecanismo para podermos lidar com a ansiedade e tamb\u00e9m lidar com todos os contextos psicol\u00f3gicos que s\u00e3o inaceit\u00e1veis. Esse mecanismo pode se desenvolver de forma saud\u00e1vel, mas tamb\u00e9m existe a possibilidade desse mecanismo se desenvolver de maneira doentia e desequilibrada.\u00a0 Segundo Carl Gustav Jung, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 positiva ao facilitar as rela\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo com o mundo externo.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Por isto, enquanto o interesse vital, a libido, puder utilizar estas proje\u00e7\u00f5es como pontes agrad\u00e1veis e \u00fateis, ligando o sujeito com o mundo, tais proje\u00e7\u00f5es constituem facilita\u00e7\u00f5es positivas para a vida. (Carl Gustav Jung; A natureza da psique \u2013 par\u00e1grafo 507).<\/span><\/i><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na vis\u00e3o da psican\u00e1lise, desenvolvida por Sigmund Freud, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 mecanismo de defesa da psique. Um mecanismo de defesa \u00e9 uma estrat\u00e9gia que pessoas podem usar, mesmo sem perceber que est\u00e3o fazendo isso a fim de proteger-se de coisas que realmente n\u00e3o querem lidar ou pensar. Ela alivia os sentimentos de ansiedade ou culpa associados a pensamentos dolorosos ou indesej\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Psicologia Anal\u00edtica, o psicoterapeuta deve trabalhar o conceito da proje\u00e7\u00e3o em seus pacientes, a fim de ajud\u00e1-los a aprender, a compreender e a reconhecer quando est\u00e3o usando esse mecanismo de defesa. Depois que o paciente reconhece o mecanismo, pode se tornar mais capaz de enfrentar os seus sentimentos de frente, confrontar e dominar a sombra, e tamb\u00e9m lidar com eles ao inv\u00e9s de projet\u00e1-los em outra pessoa. Isto levar\u00e1 a rela\u00e7\u00f5es mais positivas e funcionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Evandro Rodrigo Trop\u00e9ia \/ Instituto Freedom<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">CRP: 06\/143949<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conceito de Proje\u00e7\u00e3o, na concep\u00e7\u00e3o de Carl Gustav Jung (1875-1961) \u00e9 o processo espont\u00e2neo em que os conte\u00fados do inconsciente de algu\u00e9m s\u00e3o percebidos e direcionados para outras pessoas&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1451,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[256,242,45],"class_list":["post-1450","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-psicologia-analitica","tag-mecanismo-de-projecao","tag-projecao","tag-psicologia-analitica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1450","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1450"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1450\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1454,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1450\/revisions\/1454"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}