{"id":1462,"date":"2023-02-13T15:01:10","date_gmt":"2023-02-13T15:01:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.institutofreedom.com.br\/blog\/?p=1462"},"modified":"2023-04-13T14:33:40","modified_gmt":"2023-04-13T14:33:40","slug":"religiao-como-funcao-psicologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/religiao-como-funcao-psicologica\/","title":{"rendered":"RELIGI\u00c3O COMO FUN\u00c7\u00c3O PSICOL\u00d3GICA"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a Psicologia Anal\u00edtica Junguiana a religiosidade \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o natural, inerente \u00e0 psique, sendo assim considerado um fen\u00f4meno universal. \u00a0A religi\u00e3o \u00e9 encontrada desde os tempos mais remotos nas mais variadas culturas, povos e na\u00e7\u00f5es. Para Jung a religi\u00e3o \u00e9 um instinto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nise da Silveira nos revela que a diverg\u00eancia entre Jung e Freud, neste assunto, \u00e9 absoluta. Segundo Carl Gustav Jung a religi\u00e3o apresenta-se como um fen\u00f4meno genu\u00edno; enquanto que para Sigmund Freud \u00e9 um derivado do complexo paterno e uma das sublima\u00e7\u00f5es poss\u00edveis do instinto sexual, sendo considerado pelo mesmo como uma esp\u00e9cie de neurose.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A psiquiatra Nise da Silveira nos concede o seguinte apontamento:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cJung toma atitude positiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s religi\u00f5es. Todas s\u00e3o v\u00e1lidas na medida em que recolhem e conservam as imagens simb\u00f3licas oriundas das profundezas do inconsciente e as elaboram em seus dogmas, promovendo assim conex\u00f5es com as estruturas b\u00e1sicas da vida ps\u00edquica.\u201d<\/span><\/i><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas conex\u00f5es s\u00e3o de tanta import\u00e2ncia que Jung, fundamentado no seu trabalho de psicoterapeuta, chegou \u00e0 seguinte conclus\u00e3o:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Entre todos os meus doentes na segunda metade da vida, isto \u00e9, tendo mais de trinta e cinco anos, n\u00e3o houve um s\u00f3 cujo problema mais profundo n\u00e3o fosse constitu\u00eddo pela quest\u00e3o de sua atitude religiosa. Todos, em \u00faltima inst\u00e2ncia, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religi\u00e3o viva sempre deu em todos os tempos a seus adeptos, e nenhum curou-se realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse pr\u00f3pria. Isto, est\u00e1 claro, n\u00e3o depende absolutamente de ades\u00e3o a um credo particular ou de tornar-se membro de uma igreja\u201d.<\/span><\/i><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Carl Gustav Jung utiliza a palavra religi\u00e3o no sentido de\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">religio\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">re\u00a0<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ligare<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">), tornar a ligar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A religiosidade nos remete ao fato de religar o consciente com certos poderosos fatores do inconsciente a fim de que sejam tomados em atenta considera\u00e7\u00e3o. Estes fatores s\u00e3o caracterizados por suas intensas cargas energ\u00e9ticas e intenso processo din\u00e2mico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nise da Silveira relata que para Jung<\/span><b>\u00a0<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">todas as religi\u00f5es originam-se basicamente de encontros com esses fatores din\u00e2micos do inconsciente, seja em sonhos, vis\u00f5es ou \u00eaxtases. Esses fatores se apresentam encarnados em imagens dos mais diversos aspectos: deuses, dem\u00f4nios, esp\u00edritos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Jung reconhece \u201ctodos os deuses poss\u00edveis e imagin\u00e1veis, sob a condi\u00e7\u00e3o \u00fanica de que sejam ou tenham sido atuantes no psiquismo do homem&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o importa que &#8220;todas as afirma\u00e7\u00f5es religiosas sejam impossibilidades f\u00edsicas&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As cren\u00e7as religiosas t\u00eam um papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios e no processamento de informa\u00e7\u00f5es, auxiliando muitas pessoas na organiza\u00e7\u00e3o e na compreens\u00e3o de eventos dolorosos e imprevis\u00edveis que podem gerar diversos sintomas. Diante disso, podemos afirmar que, assim como qualquer pessoa pode procurar a psicoterapia com base nos seus valores e cren\u00e7as, a ressurrei\u00e7\u00e3o e a reencarna\u00e7\u00e3o devem ser levadas em conta com seriedade pelos psicoterapeutas, que devem buscar informa\u00e7\u00f5es adequadas em abordagens coerentes e eficazes, sem misticismo e sem pr\u00e1ticas divinas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O psicoterapeuta precisa estar confort\u00e1vel para abordar as quest\u00f5es espirituais e religiosas, como a reencarna\u00e7\u00e3o, a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida ap\u00f3s a morte. Este \u00e9 o primeiro de uma s\u00e9rie de passos para que a psicoterapia siga seu percurso nas diretrizes \u00e9ticas. As informa\u00e7\u00f5es colhidas no processo terap\u00eautico devem ser pautadas sobre tudo o que o paciente acredita, o que exige conhecimento de estrat\u00e9gias objetivas para otimizar o enfrentamento das dificuldades com base nesse sistema de cren\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Evandro Rodrigo Trop\u00e9ia\u00a0\/ Instituto Freedom<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">CRP: 06\/143949<\/span><\/p>\n<p><b>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<br \/>\n<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">JUNG, C. G. Psicologia e Religi\u00e3o. Obras completas de C. G. Jung, v. 11\/1. Vozes, Petr\u00f3polis, 1978.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">JUNG , C.G., 2003, Estudos Alqu\u00edmicos, Petr\u00f3polis: Vozes, 1990.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">JUNG, C. G. O Homem e Seus S\u00edmbolos. Tradu\u00e7\u00e3o de Maia L\u00facia Pinho. Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2008.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">NISE DA SILVEIRA, Jung Vida e Obra.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/site.cfp.org.br\/ (Conselho Federal de Psicologia)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo a Psicologia Anal\u00edtica Junguiana a religiosidade \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o natural, inerente \u00e0 psique, sendo assim considerado um fen\u00f4meno universal. \u00a0A religi\u00e3o \u00e9 encontrada desde os tempos mais remotos nas&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1463,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[403,404],"class_list":["post-1462","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-psicologia-analitica","tag-funcao-psicologica","tag-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1462","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1462"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1462\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1464,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1462\/revisions\/1464"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1463"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}