{"id":41,"date":"2015-12-10T13:22:57","date_gmt":"2015-12-10T13:22:57","guid":{"rendered":"https:\/\/institutofreedom.wordpress.com\/?p=41"},"modified":"2023-04-13T14:31:48","modified_gmt":"2023-04-13T14:31:48","slug":"a-importancia-dos-sonhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/a-importancia-dos-sonhos\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia dos Sonhos"},"content":{"rendered":"<p>Carl Jung deu grande import\u00e2ncia a an\u00e1lise dos sonhos no processo de psicoterapia, transformando em uma ferramenta essencial no processo de autoconhecimento.<br \/>\nA interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos \u00e9 uma ferramenta antiqu\u00edssima utilizada por diversas culturas anteriores a nossa. Os povos primitivos, que possu\u00edam uma mente mais mitol\u00f3gica que a do homem moderno, j\u00e1 notava sinais de que os sonhos eram mensagens. No entanto,eles analisavam os sonhos de forma literal.<!--more--><br \/>\nA an\u00e1lise dos sonhos em psicoterapia, e da descoberta de algo simb\u00f3lico por tr\u00e1s das imagens, come\u00e7ou com Sigmund Freud,que em 1900, lan\u00e7ou a obra inovadora chamada A Interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos, onde ele notou que os sonhos nos mandam mensagens oriundas do inconsciente. Sendo essas mensagens provenientes de materiais reprimidos pela nossa consci\u00eancia, principalmente de cunho sexual e agressivo. Ou seja, eram desejos secretos que muitas vezes, por repress\u00e3o da sociedade ou da pr\u00f3pria pessoa, n\u00e3o podiam ser realizados.<\/p>\n<p>Para Freud, ent\u00e3o, o sonho seria a realiza\u00e7\u00e3o de forma disfar\u00e7ada de desejos reprimidos.<\/p>\n<p>Com Carl Jung, os sonhos adquiriram uma import\u00e2ncia ainda maior e passaram a n\u00e3o se limitar a conte\u00fados recalcados pela consci\u00eancia.<\/p>\n<h3>Jung e os sonhos<\/h3>\n<p><strong>Sua defini\u00e7\u00e3o de sonhos \u00e9 a seguinte (Jung, 2009):<\/strong><br \/>\n<em>\u201cO sonho \u00e9 uma parcela da atividade ps\u00edquica involunt\u00e1ria, que possui, precisamente, suficiente consci\u00eancia para ser reproduzida no estado de vig\u00edlia. Entre as manifesta\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas s\u00e3o talvez os sonhos aquelas que mais nos oferecem dados &#8220;irracionais&#8221;.<\/em><br \/>\nPara Jung, diferentemente de Freud, o sonho \u00e9 o que \u00e9, sem disfarces. O sonho possui um significado intr\u00ednseco pr\u00f3prio. Ele \u00e9 uma for\u00e7a orientadora o ego.<\/p>\n<p>Para a compreens\u00e3o dos sonhos, \u00e9 necess\u00e1rio que entender sua origem e que ele possui uma natureza distinta dos produtos da consci\u00eancia, Jung (2009):<\/p>\n<p><em>\u201cA raz\u00e3o para a posi\u00e7\u00e3o excepcional do sonho est\u00e1 na sua maneira especial de se originar: o sonho n\u00e3o \u00e9 o resultado, como os outros conte\u00fados da consci\u00eancia, de uma continuidade claramente discern\u00edvel, l\u00f3gica e emocional da experi\u00eancia, mas o res\u00edduo de uma atividade que se exerce durante o sono. Esta maneira de se originar \u00e9 suficiente, em si mesma, para isolar o sonho dos demais conte\u00fados da consci\u00eancia, e este isolamento \u00e9 acrescido pelo conte\u00fado pr\u00f3prio do sonho, que contrasta marcantemente com o pensamento consciente.\u201d<\/em><\/p>\n<h3>As imagens e os s\u00edmbolos<\/h3>\n<p>Os sonhos podem trazer imagens, detalhes e acontecimentos que prov\u00eam de impress\u00f5es, pensamentos e estados de esp\u00edrito do dia ou dos dias precedentes. Mesmo assim, os sonhos ainda possuem uma fun\u00e7\u00e3o de nos guiar para frente, como cita Jung (2009)<\/p>\n<p><em>\u201cNeste sentido, portanto, existe certa continuidade, embora \u00e0 primeira vista pare\u00e7a uma continuidade para tr\u00e1s, mas, quem quer que se interesse vivamente pelo problema dos sonhos, n\u00e3o deixar\u00e1 de notar que os sonhos possuem tamb\u00e9m \u2014 se me permitem a express\u00e3o \u2014 uma continuidade para frente, pois ocasionalmente os sonhos exercem efeitos not\u00e1veis sobre a vida mental consciente, mesmo de pessoas que n\u00e3o podem ser qualificadas de supersticiosas e particularmente anormais.\u201d<\/em><\/p>\n<h3>Os sonhos e a psican\u00e1lise<\/h3>\n<p>Freud possu\u00eda uma concep\u00e7\u00e3o causal dos sonhos, em que parte de um desejo, de uma aspira\u00e7\u00e3o recalcada, se expressa no sonho. Esse desejo \u00e9 sempre algo de relativamente simples e elementar, mas pode se dissimular sob m\u00faltiplos disfarces.<br \/>\nA abordagem causal parte dos elementos do sonho e, atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de associa\u00e7\u00f5es que estes despertem vai, de elo em elo, at\u00e9 chegar a um desejo reprimido no inconsciente.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o est\u00e1 errado, no entanto, limita a interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos e o pr\u00f3prio inconsciente a apenas complexos recalcados.<br \/>\nJung tamb\u00e9m via os sonhos com uma finalidade, onde cada imagem on\u00edrica possui o seu valor pr\u00f3prio. E isso traz uma diversidade de express\u00f5es simb\u00f3licas.<\/p>\n<p>Para Jung, ent\u00e3o, a conjuga\u00e7\u00e3o dos dois pontos de vista: causal e finalista \u2014 que ainda n\u00e3o foram desenvolvidos de maneira cientificamente satisfat\u00f3ria, em virtude de enormes dificuldades tanto te\u00f3ricas como pr\u00e1ticas \u2014 nos pode levar a uma compreens\u00e3o mais completa da natureza do sonho (Jung, 2009).<\/p>\n<h3>A linguagem dos sonhos<\/h3>\n<p>Os sonhos ent\u00e3o s\u00e3o, al\u00e9m de importante fonte de informa\u00e7\u00e3o, um instrumento altamente educativo, pois mostram de forma espont\u00e2nea e simb\u00f3lica a situa\u00e7\u00e3o atual do inconsciente e para onde ele pode encaminhar a consci\u00eancia.<br \/>\nAl\u00e9m disso, os sonhos falam a linguagem do inconsciente, ou seja, utiliza uma linguagem simb\u00f3lica, o que torna dif\u00edcil para a consci\u00eancia, com sua linguagem linear, interpret\u00e1-los sem ajuda.<\/p>\n<p>Os sonhos carecem de l\u00f3gica, tem uma moral duvidosa \u00e0s vezes, apresenta alguns absurdos e conta-sensos, por essa raz\u00e3o ainda \u00e9 desprezado pelo homem moderno pautado na l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Segundo Jung, os personagens que surgem no sonho, as situa\u00e7\u00f5es representadas, referem-se de fato \u00e0 realidade objetiva. Isso acontece geralmente quando as pessoas com as quais se sonha s\u00e3o conhecidos: sejam \u00edntimos ou que desempenham papel atual na vida do sonhador. Mas se os figurantes do sonho s\u00e3o desconhecidos, ou mesmo quando conhecidos, mas que n\u00e3o mant\u00e9m estreitas rela\u00e7\u00f5es, no presente com o sonhador, ent\u00e3o adquirem significa\u00e7\u00e3o peculiar: representam fatores aut\u00f4nomos da pr\u00f3pria psique do sonhador, como sombra, anima e animus (Silveira, 1981).<\/p>\n<h3>Conceitos junguianos<\/h3>\n<p>Com a descoberta do inconsciente coletivo e dos arqu\u00e9tipos, Carl Jung percebeu que os sonhos podem trazer muito material mitol\u00f3gico. Como diz Joseph Campbell em O Poder do Mito: os mitos s\u00e3o sonhos p\u00fablicos; os sonhos s\u00e3o mitos privados.<br \/>\nEntre as principais fun\u00e7\u00f5es dos sonhos temos: a economia ps\u00edquica e org\u00e2nica. Neurofisiologistas modernos, na base de experi\u00eancias, chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o sonhar \u00e9 mais prejudicial que n\u00e3o dormir (Silveira, 1981).<\/p>\n<p>Mas a fun\u00e7\u00e3o mais importante em termos psicol\u00f3gicos \u00e9 a de compensa\u00e7\u00e3o. Para Jung, os sonhos funcionam principalmente como auto-reguladores de posi\u00e7\u00f5es conscientes demasiado unilaterais ou at\u00e9 antinaturais. Essa compensa\u00e7\u00e3o Poe inclusive antecipar uma realiza\u00e7\u00e3o consciente.<\/p>\n<p>Sobre isso Silveira (1981) cita:<br \/>\n<em>\u201cSempre que a atitude consciente extrema-se, seja no sentido de extrovers\u00e3o ou de introvers\u00e3o que saia fora dos ritmos peculiares ao tipo psicol\u00f3gico do indiv\u00edduo, ou quando uma das fun\u00e7\u00f5es de orienta\u00e7\u00e3o do consciente (pensamento, sentimento, sensa\u00e7\u00e3o, intui\u00e7\u00e3o) torna-se demasiado hipertrofiada em detrimento das demais; sempre que o indiv\u00edduo supervaloriza ou, ao contr\u00e1rio, subestima a si pr\u00f3prio ou a outrem; sempre que necessidades especificas a cada um s\u00e3o negligenciadas, surgem sonhos compensadores indicando que a psique funciona como um sistema auto-regulador.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o deve-se conhecer a situa\u00e7\u00e3o consciente do sonhador.<\/p>\n<h3>As fun\u00e7\u00f5es dos sonhos<\/h3>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o dos sonhos pode ent\u00e3o negar, criticar, confirmar ou modificar uma atitude consciente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o compensadora, outra fun\u00e7\u00e3o importante do sonho \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o prospectiva.<\/p>\n<p>Ou seja, em alguns casos, ele pode trazer uma antecipa\u00e7\u00e3o do futuro, inclusive tamb\u00e9m como forma de corre\u00e7\u00e3o ou confirma\u00e7\u00e3o da atitude consciente.<\/p>\n<p>Jung tamb\u00e9m cita o sonho reativo, onde acontecimentos traum\u00e1ticos s\u00e3o revividos no sonho, tais como violentos choques de guerra, inc\u00eandios, inunda\u00e7\u00f5es, acidentes, perdas de pessoas queridas.<\/p>\n<p>Esses sonhos tem como fun\u00e7\u00e3o a repeti\u00e7\u00e3o constante de forma a levar o estimulo traum\u00e1tico a se desgastar.<br \/>\nJung tamb\u00e9m classificava os sonhos em grandes e pequenos.<\/p>\n<p>Os pequenos se referem aos acontecimentos do dia a dia e a problemas ordin\u00e1rios. J\u00e1 os grandes s\u00e3o aqueles carregados de significa\u00e7\u00f5es profundas, seja de car\u00e1ter individual ou coletivo, sonhos que perturbam, infundem medo ou exaltam. S\u00e3o carregados de imagens arquet\u00edpicas e mudam completamente o direcionamento da atitude corriqueira. \u00c9 comum no inicio da an\u00e1lise o paciente ter um grande sonho, que marca o inicio do seu processo.<\/p>\n<p>Por vezes nossos sonhos podem nos mostrar nossos desejos ou nossos traumas, mas se analisarmos a fundo eles nos dizem coisas que n\u00e3o queremos ver nem ouvir. Por isso sua analise n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos deve ser feita com seriedade, pois eles constituem as melhores fontes de informa\u00e7\u00e3o sobre as etapas em que o sonhador se encontra em seu processo de individua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, se empenhar em compreender seu simbolismo pode ampliar nossa maneira de encarar nossa pr\u00f3pria vida e o mundo. Todo aquele que trilha o caminho do autoconhecimento deve saber que o sonho \u00e9 a base do desenvolvimento da personalidade. Seu significado nos faz encontrar o sentido mais profundo de nossa exist\u00eancia, dando sentido a ela.<\/p>\n<p><strong>Texto escrito por: Hellen Reis Mour\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carl Jung deu grande import\u00e2ncia a an\u00e1lise dos sonhos no processo de psicoterapia, transformando em uma ferramenta essencial no processo de autoconhecimento. 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