{"id":490,"date":"2016-09-01T17:44:51","date_gmt":"2016-09-01T17:44:51","guid":{"rendered":"http:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/?p=490"},"modified":"2023-06-07T20:44:14","modified_gmt":"2023-06-07T20:44:14","slug":"donzela-sem-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/donzela-sem-maos\/","title":{"rendered":"A Donzela sem m\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p><strong>Donzela sem m\u00e3os<\/strong> \u00e9 um conto bel\u00edssimo que j\u00e1 foi amplamente estudado no livro <strong>Mulheres que correm com os Lobos<\/strong>, da autora Clarissa Pinkola \u00c9stes, e no livro <strong>O Feminino nos contos de fadas<\/strong>, de Marie Louise Von Franz.<\/p>\n<p>O conto dos irm\u00e3os Grimm, trata da hist\u00f3ria de uma jovem que teve suas m\u00e3os amputadas pelo seu pai \u2013 um moleiro &#8211; que tristemente fez um pacto com o diabo, em troca de riqueza.<\/p>\n<div id=\"attachment_494\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog1.jpg\" data-rel=\"penci-gallery-image-content\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-494\" class=\"wp-image-494 size-medium\" src=\"https:\/\/www.institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog1-230x300.jpg\" alt=\"Donzela tendo a m\u00e3o cortada\" width=\"230\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog1-230x300.jpg 230w, https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog1-585x763.jpg 585w, https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog1.jpg 588w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-494\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Andra Hancock<\/p><\/div>\n<h2>An\u00e1lise da obra<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria se trata da jornada da mulher que n\u00e3o consegue assumir seus dons criativos.<\/p>\n<p>O pai, um moleiro que perde sua fortuna, \u00e9 aquela parte nossa que quer sair da dificuldade por artif\u00edcios do ego e sem \u00e9tica. Ele entrega a filha ao diabo.<\/p>\n<h2>Os nossos moleiros e nossas donzelas<\/h2>\n<p>Vemos a mesma narrativa se repetir coletivamente por meio do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico que destr\u00f3i a natureza indiscriminadamente. Pensamos \u201c\u00e9 apenas um peda\u00e7o de terra\u201d, ou \u00e9 s\u00f3 uma \u00e1rvore\u201d, mas se trata mais do que isso.<\/p>\n<p>Cortar as m\u00e3os significa cortar rela\u00e7\u00f5es, mas ficar sem m\u00e3os tamb\u00e9m significa que a mulher ficou sem capacidade de atuar no mundo, de trabalhar e de colocar seus dons criativos no mundo.<\/p>\n<p>Quantas mulheres n\u00e3o abdicaram de seus dons e fizeram um pacto infeliz com \u201co diabo\u201d n\u00e3o respeitando seus processos da alma, seus relacionamentos se tornando impotentes e incapazes de se relacionar e realizar qualquer produ\u00e7\u00e3o criativa.<\/p>\n<h2>O in\u00edcio da jornada<\/h2>\n<p>Sem m\u00e3os, a jovem deixa a casa dos pais e segue em sua jornada redentora para viver na floresta e assim reencontrar a sua natureza perdida. Ela suporta o sofrimento e confia em algo maior que seu ego.<\/p>\n<div id=\"attachment_493\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog2.jpg\" data-rel=\"penci-gallery-image-content\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-493\" class=\"wp-image-493 size-medium\" src=\"https:\/\/www.institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog2-230x300.jpg\" alt=\"Donzela observando\" width=\"230\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog2-230x300.jpg 230w, https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog2-585x763.jpg 585w, https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog2.jpg 588w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-493\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Andra Hancock<\/p><\/div>\n<h2>O encontro da donzela e a amplia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia<\/h2>\n<p>Na floresta sente fome e um anjo a ajuda a encontrar um jardim, que pertencia a um rei. Chegando l\u00e1, ela come uma pera. O monarca percebe que uma de suas peras sumiu e descobre a donzela, se apaixonando pela mo\u00e7a e a pedindo em casamento.<\/p>\n<p>O jardim e o roubo fruto proibido lembram a tem\u00e1tica judaico-crist\u00e3 do Para\u00edso e Pecado Original. Mas aqui n\u00e3o \u00e9 considerado pecado. No conto, este ato simboliza o ultrapassar a inconsci\u00eancia natural do Para\u00edso. Ou seja, agora a jovem conhece o bem e o mal e a realidade da vida, que consiste de bons e maus momentos.<\/p>\n<p>Ao casar com o rei, ela ganha m\u00e3os de prata. Esta \u00e9 ainda uma solu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, pois com as m\u00e3os de prata ela ainda n\u00e3o tem a mesma mobilidade que tinha com as naturais, ou seja, ela ainda continua passiva.<\/p>\n<div id=\"attachment_495\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog3.jpg\" data-rel=\"penci-gallery-image-content\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-495\" class=\"wp-image-495 size-medium\" src=\"https:\/\/www.institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog3-230x300.jpg\" alt=\"Donzela com m\u00e3os\" width=\"230\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog3-230x300.jpg 230w, https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog3-585x763.jpg 585w, https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog3.jpg 588w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-495\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Andra Hancock<\/p><\/div>\n<h2>Maternidade e sombra<\/h2>\n<p>A prata na alquimia est\u00e1 associada a Lua, ao feminino e a maternidade. Isso significa que, apesar de estar em um caminho de reden\u00e7\u00e3o, ela ainda n\u00e3o tem um instinto materno saud\u00e1vel, \u00e9 artificial.<\/p>\n<p>A jovem fica gr\u00e1vida, mas o rei segue para a guerra deixando-a com a sua sogra. Os 09 meses se passam e quando o beb\u00ea nasce, a m\u00e3e do rei envia cartas ao filho. No entanto, as cartas s\u00e3o trocadas pelo diabo e uma ordem \u00e9 acrescentada: a de matar a mo\u00e7a e o filho.<\/p>\n<p>Mais uma vez a jovem \u00e9 colocada em contato com o mal, pois seu conflito n\u00e3o estava ainda resolvido: sua feminilidade precisava ser aprofundada.<\/p>\n<div id=\"attachment_496\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog4.jpg\" data-rel=\"penci-gallery-image-content\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-496\" class=\"wp-image-496 size-medium\" src=\"https:\/\/www.institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog4-230x300.jpg\" alt=\"Donzela consolando\" width=\"230\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog4-230x300.jpg 230w, https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog4-585x763.jpg 585w, https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Instituto-Freedom-2016-09-01-blog4.jpg 588w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-496\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Andra Hancock<\/p><\/div>\n<p>A m\u00e3e do rei percebe algo de errado e manda matar uma cor\u00e7a no lugar da mo\u00e7a e pede para que a jovem fosse embora para a floresta.<\/p>\n<p>Ela novamente se encontra na floresta, abandonada e tra\u00edda. N\u00e3o se trata de uma repeti\u00e7\u00e3o do drama, mas de um aprofundamento da inicia\u00e7\u00e3o da jovem para sua entrada na floresta da sua psique atrav\u00e9s do rito da resist\u00eancia e assim fortalecer sua personalidade enquanto mulher, atrav\u00e9s desse encontro com a M\u00e3e Natureza.<\/p>\n<p>Ela passa ent\u00e3o, 7 anos com seu filho na floresta, auxiliada por uma esp\u00e9cie de anjo cuidador. Nesse tempo suas m\u00e3os crescem e seu marido passa a procur\u00e1-la durante todo esse tempo.<\/p>\n<h2>Natureza e maternidade<\/h2>\n<p>Aqui o processo de inicia\u00e7\u00e3o da donzela se aprofunda. Ela agora vai sair de seu estado de inconsci\u00eancia total do inicio do conto. A floresta \u00e9 s\u00edmbolo de algo intocado, da M\u00e3e Natureza. Nesse prazo de 7 anos, ela resgata seu instinto materno, longe da civiliza\u00e7\u00e3o que lhe dita regras de comportamento enquanto m\u00e3e.<\/p>\n<p>Ela vai ser a m\u00e3e ursa e desenvolver sua natureza selvagem. Esse \u00e9 um problema inclusive cr\u00f4nico em nossa sociedade ocidental: a perda de contato com a natureza afeta mais intensamente as mulheres, que desconectadas de seu pr\u00f3prio corpo e seus ciclos acabam se desligando do instinto materno e desconhecendo os ciclos de seus beb\u00eas.<\/p>\n<p>Ela fica na floresta por 7 anos. O sete \u00e9 o n\u00famero de dias de cada fase da lua e \u00e9 tamb\u00e9m o n\u00famero de outras express\u00f5es do tempo sagrado: os sete dias da cria\u00e7\u00e3o, os sete dias da semana.<\/p>\n<p>O conto Donzela sem M\u00e3os traz para a mulher o aprendizado da natureza mais profunda do feminino que se divide em ciclos relacionados as mudan\u00e7as do corpo.<\/p>\n<p>Portanto, compreendermos esses ciclos e os pactos infelizes que fazemos em nossa inconsci\u00eancia nos auxilia em nosso crescimento ps\u00edquico. Cada ciclo tem sua tarefa, uma morte simb\u00f3lica e uma entrada em nossa floresta interior, nossa \u00e1rea selvagem e intocada. Respeitar os ciclos de nosso corpo e esp\u00edrito nos ajuda resgatar nossas m\u00e3os, ou seja, nosso poder de criar e realizar algo em nossas vidas e no mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Donzela sem m\u00e3os \u00e9 um conto bel\u00edssimo que j\u00e1 foi amplamente estudado no livro Mulheres que correm com os Lobos, da autora Clarissa Pinkola \u00c9stes, e no livro O Feminino&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":508,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[117,56,116,118,126,119,125,45,164],"class_list":["post-490","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-psicologia-analitica","tag-clarissa-pinkola-estes","tag-contos-de-fadas","tag-marie-louise-von-franz","tag-mulheres-que-correm-com-os-lobos","tag-natureza-selvagem","tag-o-feminino-nos-contos-de-fadas","tag-processo-de-iniciacao","tag-psicologia-analitica","tag-psicologia-junguiana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=490"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/490\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1653,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/490\/revisions\/1653"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/508"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}