{"id":585,"date":"2016-09-28T22:59:24","date_gmt":"2016-09-28T22:59:24","guid":{"rendered":"http:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/?p=585"},"modified":"2023-04-13T14:31:15","modified_gmt":"2023-04-13T14:31:15","slug":"relacionamentos-afetivos-o-ceu-e-o-inferno-do-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/relacionamentos-afetivos-o-ceu-e-o-inferno-do-ser-humano\/","title":{"rendered":"RELACIONAMENTOS AFETIVOS \u2013 O C\u00c9U E O INFERNO DO SER HUMANO"},"content":{"rendered":"<p>Desde o reino animal nenhum outro aspecto da afetividade \u00e9 gerador de emo\u00e7\u00f5es e sentimentos t\u00e3o ambivalentes, construtores e destruidores do equil\u00edbrio individual e coletivo, como os relacionamentos afetivos.<\/p>\n<p>No mundo dos irracionais dois machos se empenham numa luta de vida ou morte pela manuten\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio e o direito de acasalar, criando todo tipo de estrat\u00e9gias que nos surpreendem, para conquistar a f\u00eamea ou as f\u00eameas.<\/p>\n<p>O homem, portador da capacidade cognitiva, elabora variadas estrat\u00e9gias para conquistar a mulher e, em alguns casos, d\u00e1 vaz\u00e3o os instintos mais primitivos quando n\u00e3o consegue seu objetivo.<\/p>\n<p>Tamanho interesse e depend\u00eancia de se validar pelo recebimento de afetividade levou o fil\u00f3sofo do s\u00e9culo XIX Schopenhauer, conhecido por suas ideias pessimistas em rela\u00e7\u00e3o ao sentido da vida, a concluir que relacionamentos e desejos s\u00f3 levavam \u00e0 dor e ao t\u00e9dio.<\/p>\n<p>Segundo ele a salva\u00e7\u00e3o do sofrimento humano, causado pela exist\u00eancia seria a ren\u00fancia ao mundo, tornando-se assim verdadeiramente livre.<\/p>\n<p>Schopenhauer vivenciou a rela\u00e7\u00e3o frustrada de seus pais e construiu sua Filosofia baseada nesta experi\u00eancia, como uma forma de defesa.<\/p>\n<p>De certa forma \u00e9 o que acontece com todos n\u00f3s, criamos senten\u00e7as e barreiras para evitar o sofrimento e assim, sem perceber, aumentamos nossa sombra, ou o material reprimido no inconsciente, diminuindo a energia \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do ego.<\/p>\n<p>Dessa forma acreditava Schopenhauer que toda manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica em festas e encontros, tinha o \u00fanico objetivo de conquistar a mulher que, por sua vez, se mostrava receptiva ou n\u00e3o \u00e0 corte.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias de grandes amores arrebatadores da Mitologia e dos grandes imp\u00e9rios como Trist\u00e3o e Isolda, Marco Ant\u00f4nio e Cle\u00f3patra, entre tantos outros, de certo modo, d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 Filosofia de Schopenhauer.<\/p>\n<p>Essa depend\u00eancia total e irrestrita do \u201cobjeto\u201d de amor, seja ele material, pessoal ou ideol\u00f3gico, frustra o desenvolvimento da personalidade genu\u00edna.<\/p>\n<p>Freud, embora n\u00e3o cita Schopenhauer, tendo este escrito suas ideias filos\u00f3ficas, cinquenta anos antes daquele, reproduz, em sua Teoria da Libido, a mesma ideia fundamental, no \u201cjogo da vida\u201d entre o sujeito, o objeto desejado e a censura. Censura esta constitu\u00edda pela cultura e todas as v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es relacionadas ao \u201cobjeto amado\u201d.<\/p>\n<p>A teoria freudiana, embora correta e sempre atual, enquanto perdurar o est\u00e1gio atual de desenvolvimento da humanidade, n\u00e3o oferece uma sa\u00edda para impasse gerado entre o sujeito, o objeto do desejo e a censura, pois mesmo que o intento do sujeito seja satisfeito, haver\u00e1 sempre a depend\u00eancia do objeto amado, gerando a inseguran\u00e7a no sujeito.<\/p>\n<p>Traduzindo de uma forma bem direta, para Freud, a frustra\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sempre a heran\u00e7a que resta ao sujeito.<\/p>\n<p>Como solu\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica Freud prop\u00f5e o famoso m\u00e9todo da \u201cAssocia\u00e7\u00e3o Livre\u201d onde o sujeito, sob tratamento psicanal\u00edtico, se compromete a relatar todas suas ideias, sentimentos e emo\u00e7\u00f5es que v\u00eam a sua mente de forma honesta e espont\u00e2nea.<\/p>\n<p>Dessa forma, o material reprimido no inconsciente poder\u00e1 se tornar consciente, liberando assim a energia \u201croubada\u201d da personalidade (ego).<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que falta muitas considera\u00e7\u00f5es a fazer, mas esse n\u00e3o \u00e9 o objetivo deste texto.<\/p>\n<p>Dentre as tantas formas de sentimento amoroso descritos e conhecidos, a mais famosa e completa descri\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que seja poss\u00edvel descrever um sentimento t\u00e3o controverso quanto intenso, se destaca o texto da Carta de S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios, cap\u00edtulo XIII:<\/p>\n<p>\u201cAinda que eu falasse a l\u00edngua dos Anjos, se n\u00e3o tivesse amor, nada seria&#8230;<\/p>\n<p>Este texto, conhecido por todos, motivo de muitas can\u00e7\u00f5es em todo o mundo e em todos os tempos, \u00e9 de fato, uma refer\u00eancia un\u00e2nime ao amor, sentimento imposs\u00edvel de ser definido, que proporcionou ao Ingl\u00eas Henry Drummond a escrever o famoso texto, traduzido e adaptado livremente do serm\u00e3o original \u201cThe Greatest Thing in the World\u201d, por Paulo Coelho, publicado pela Rocco em 1.999. Vale fazer dele um texto de cabeceira.<\/p>\n<p>Em 1911 Jung publicou \u201cS\u00edmbolos da Transforma\u00e7\u00e3o\u201d, obra que s\u00f3 foi definitivamente conclu\u00edda em 1950 em sua quarta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste texto final de mais de setecentas p\u00e1ginas, Jung d\u00e1 uma nova e ampla vis\u00e3o da energia da vida, chamada por Freud de \u201clibido\u201d e por Wilhelm Reich de \u201corgone\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 importante esclarecer que nem Freud, nem Reich considerava a libido e a orgone apenas como energias do impulso sexual, embora muito leigos pensam que Freud s\u00f3 se referia \u00e0 libido puls\u00e3o sexual, isso de certa forma \u00e9 uma grosseira injusti\u00e7a \u00e0 genialidade de Freud.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o de \u201cS\u00edmbolos da Transforma\u00e7\u00e3o\u201d, marca definitivamente o rompimento de Freud com Jung tanto no aspecto cient\u00edfico como nas rela\u00e7\u00f5es de amizade.<\/p>\n<p>Jung se incomodava com a ideia de Freud de considerar a Teoria do Desenvolvimento Psicossexual como uma ideologia em resposta aos textos exot\u00e9ricos de Madame Blavastik, \u201cA Doutrina Secreta\u201d e Isis sem v\u00e9u, difundidos por toda a Europa e influenciando a obra da Medicina Antropos\u00f3fica de Rudolf Steiner, entre outros.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s muitas viagens, conhecendo v\u00e1rias culturas, inclusive os Pueblo no M\u00e9xico, Jung depara sempre com uma cren\u00e7a comum a respeito da exist\u00eancia de um Ser Sagrado e Poderoso, Criador e Mantenedor de todas as coisas.<\/p>\n<p>Para algumas culturas eram os animais poderosos ou simplesmente os fen\u00f4menos naturais.<\/p>\n<p>Essa ideia constante entre povos t\u00e3o diferentes e t\u00e3o distantes d\u00e1 a pista para Jung elaborar a ideia de um n\u00facleo aglutinador e organizador do aparelho ps\u00edquico.<\/p>\n<p>Estava dado o primeiro passo para a descoberta da Teoria dos Arqu\u00e9tipos, inconsciente pessoal e coletivo dentre muitas outras descobertas.<\/p>\n<p>Os arqu\u00e9tipos s\u00e3o consci\u00eancias primordiais que agem a partir do inconsciente das pessoas.<\/p>\n<p>Numa das mais abrangentes defini\u00e7\u00f5es, Robert A. Johnson, em seu livro \u201cImagina\u00e7\u00e3o Ativa\u201d, Editora Merc\u00fario, 2003, refeito do t\u00edtulo original em 1974: \u201cA Chave do Reino Interior\u201d. Na pag. 11 escreve Johnson:<\/p>\n<p>\u201cO inconsciente \u00e9 um universo maravilhoso composto de energias invis\u00edveis, for\u00e7as, formas de intelig\u00eancia \u2013 at\u00e9 personalidades distintas \u2013 que n\u00e3o s\u00e3o percebidas, mas que vivem dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Seu dom\u00ednio \u00e9 muito maior do que imaginamos, algo com vida pr\u00f3pria e completa, toda sua, que corre paralelamente \u00e0 vida comum do nosso dia-a-dia.<\/p>\n<p>O inconsciente \u00e9 a fonte secreta de muito que entendemos como sendo nossos pensamentos, nossas emo\u00e7\u00f5es e comportamentos.<\/p>\n<p>Influencia-nos de forma poderosa, por n\u00e3o suspeitarmos de sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Muito poucas s\u00e3o as pessoas que t\u00eam consci\u00eancia da exist\u00eancia do inconsciente nos termos definidos por Robert Johnson, isto porque n\u00e3o basta dominar o conceito de algo para acreditarmos na sua exist\u00eancia, porque n\u00e3o \u00e9 suficiente acreditar \u00e9 necess\u00e1rio saber.<\/p>\n<p>Pois, experi\u00eancia requer envolvimento. Para a maioria das pessoas a descri\u00e7\u00e3o do inconsciente de Johnson, soaria como algo louco, desprovido de raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste caso est\u00e3o certos, o inconsciente n\u00e3o tem nada a ver com o racional.<\/p>\n<p>Somente o exerc\u00edcio com os sonhos e imagina\u00e7\u00e3o ativa disponibilizam as experi\u00eancias com o inconsciente que deve ser algo pessoal, secreto, pois n\u00e3o far\u00e1 sentido para outras pessoas.<\/p>\n<p>Por esse motivo, todos os estudos e ensaios que permitiram o desenvolvimento das teorias de Jung, foram descritas e ilustradas no Livro Vermelho, publicado somente quase cinquenta anos ap\u00f3s sua morte.<\/p>\n<p>A descoberta e a elabora\u00e7\u00e3o da Teoria dos Arqu\u00e9tipos, nos fornece outra vis\u00e3o do aparelho ps\u00edquico, mudando completamente a vis\u00e3o da din\u00e2mica dos sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, proporcionando uma vis\u00e3o muito mais abrangente e profunda, assim como tamb\u00e9m oferece novas solu\u00e7\u00f5es para a problem\u00e1tica dos relacionamentos afetivos.<\/p>\n<p>N\u00e3o havendo mais espa\u00e7o para discorrermos sobre a influ\u00eancia dos arqu\u00e9tipos nas rela\u00e7\u00f5es afetivas, proponho continuarmos no pr\u00f3ximo n\u00famero.<\/p>\n<p>Texto: Osmar Santos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o reino animal nenhum outro aspecto da afetividade \u00e9 gerador de emo\u00e7\u00f5es e sentimentos t\u00e3o ambivalentes, construtores e destruidores do equil\u00edbrio individual e coletivo, como os relacionamentos afetivos. 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