{"id":617,"date":"2016-11-03T15:22:16","date_gmt":"2016-11-03T15:22:16","guid":{"rendered":"http:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/?p=617"},"modified":"2023-04-13T14:31:06","modified_gmt":"2023-04-13T14:31:06","slug":"voce-ja-foi-tomado-por-um-complexo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/voce-ja-foi-tomado-por-um-complexo\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea j\u00e1 foi tomado por um complexo?"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 comum ouvirmos \u2013 e falarmos tamb\u00e9m \u2013 que algu\u00e9m tem um complexo de inferioridade, ou de superioridade.<\/p>\n<p>O complexo de \u00c9dipo tamb\u00e9m j\u00e1 virou um jarg\u00e3o habitual em nossa comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o que significam os complexos?<\/p>\n<p>Quando dizemos que uma pessoa tem um complexo de superioridade, queremos com isso afirmar que esse \u00e9 algu\u00e9m que se sente superior a todos os outros.<\/p>\n<p>\u00c9 algu\u00e9m que age com superioridade, arrog\u00e2ncia e despreza as habilidades dos demais, por se achar mais inteligente, mais criativo, ou mais forte que o mundo todo.<\/p>\n<p>Parece que todo o seu ser \u00e9 movido por esse sentimento.<\/p>\n<p>\u00c9 uma esp\u00e9cie de possess\u00e3o que a pessoa n\u00e3o enxerga, mas que os que est\u00e3o de fora notam de forma acintosa.<\/p>\n<p>\u00c9 isso o que um complexo faz. Ele \u201cpossui\u201d a personalidade da pessoa, transformando a personalidade.<\/p>\n<p>Na verdade n\u00e3o \u201ctemos\u201d complexos; eles nos \u201ctem\u201d.<\/p>\n<p>Carl Jung verificou nas experi\u00eancias de associa\u00e7\u00e3o de palavras, cujo objetivo era determinar a velocidade m\u00e9dia das rea\u00e7\u00f5es e de suas qualidades, acabou sendo um resultado relativamente secund\u00e1rio, comparando-se com a maneira como o m\u00e9todo tem sido perturbado pelo comportamento aut\u00f4nomo da psique.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que descobriu os complexos de tonalidade afetiva que anteriormente eram registrados sempre como falhas de rea\u00e7\u00e3o (Jung, 2000).<\/p>\n<p>E com isso Jung, descobriu uma infinidade de complexos que podem perturbar a personalidade consciente.<\/p>\n<p>Ele percebeu nessas experi\u00eancias um fen\u00f4meno chamado constela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Onde situa\u00e7\u00e3o exterior desencadeia um processo ps\u00edquico que consiste na aglutina\u00e7\u00e3o e na atualiza\u00e7\u00e3o de determinados conte\u00fados.<\/p>\n<p>A constela\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo autom\u00e1tico que ningu\u00e9m pode deter por pr\u00f3pria vontade.<\/p>\n<p>Esses conte\u00fados constelados s\u00e3o determinados complexos que possuem energia espec\u00edfica pr\u00f3pria. Portanto, os complexos quando nos tomam s\u00e3o constelados.<\/p>\n<p>Os complexos provocam rea\u00e7\u00f5es perturbadas.<\/p>\n<p>E isso pode acontecer em qualquer conversa entre duas pessoas.<\/p>\n<p>Os complexos ent\u00e3o constelam e assimilam o interlocutor frustrando as inten\u00e7\u00f5es dele, podendo mesmo colocar em seus l\u00e1bios outras respostas que ele mais tarde n\u00e3o ser\u00e1 capaz de recordar.<\/p>\n<p>Os complexos rompem com o postulado ing\u00eanuo da supremacia da vontade.<\/p>\n<p>Toda constela\u00e7\u00e3o de complexos implica um estado perturbado de consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Rompe-se a unidade da consci\u00eancia e se dificultam mais ou menos as inten\u00e7\u00f5es da vontade, quando n\u00e3o se tornam de todo imposs\u00edveis.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria mem\u00f3ria, como vimos, \u00e9 muitas vezes profundamente afetada (Jung, 2000).<\/p>\n<p>Os complexos nos deixam em um estado de n\u00e3o-liberdade, nossos pensamentos se tornam obsessivos e nossas a\u00e7\u00f5es compulsivas, porque eles t\u00eam muita energia.<\/p>\n<p>Eles fazem as pessoas enlouquecerem por motivos pouco aparentes, tendo comportamentos inexplic\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os complexos muitas vezes se formam devido experi\u00eancias dolorosas que haviam sido enterradas no inconsciente, e que afetam inconscientemente por meio dos complexos a personalidade consciente.<\/p>\n<p>Conforme Stein (2006), complexos s\u00e3o entidades ps\u00edquicas fora da consci\u00eancia, as quais existem como objetos que, semelhantes a sat\u00e9lites, gravitam em torno da consci\u00eancia do ego mas s\u00e3o capazes de causar perturba\u00e7\u00f5es no ego de uma forma surpreendente e, por vezes, irresist\u00edvel.<\/p>\n<p>S\u00e3o os diabretes e dem\u00f4nios interiores que podem pegar uma pessoa de surpresa.<\/p>\n<p>As \u00e1reas da psique carregadas de complexos s\u00e3o como &#8220;bot\u00f5es&#8221;, que quando apertados disparam os complexos.<\/p>\n<p>Quando se aperta um desses bot\u00f5es, obt\u00e9m-se como resposta uma rea\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n<p>E assim, constela-se um complexo.<\/p>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es aos complexos s\u00e3o bem previs\u00edveis, uma vez que se saiba quais s\u00e3o os complexos espec\u00edficos que estruturam o inconsciente de um indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Depois que convivemos com uma pessoa por algum tempo, sabemos quais s\u00e3o alguns desses bot\u00f5es e podemos ou evitar essas \u00e1reas sens\u00edveis ou fazer o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel para tocar-lhes, tirando a pessoa do eixo.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s j\u00e1 tivemos a experi\u00eancia de perda de controle sobre as emo\u00e7\u00f5es e, em certa medida, tamb\u00e9m sobre o seu comportamento.<\/p>\n<p>Reage-se irracionalmente e, com freq\u00fc\u00eancia, lamenta-o, arrepende-se ou pensa melhor sobre o que fazer na pr\u00f3xima oportunidade.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que reagimos exatamente da mesma maneira em muitas ocasi\u00f5es e, no entanto, temos uma sensa\u00e7\u00e3o de profunda impotente para conseguir abster-se de fazer a mesma coisa de novo na pr\u00f3xima vez.<\/p>\n<p>Quando o complexo se constela, \u00e9 como se a pessoa estivesse em poder de um dem\u00f4nio, uma for\u00e7a muito superior \u00e0 sua vontade.<\/p>\n<p>Para compreender melhor um assunto t\u00e3o dif\u00edcil Stein (2006) faz uma compara\u00e7\u00e3o bastante did\u00e1tica:<\/p>\n<p>\u201cOs complexos t\u00eam energia e manifestam uma esp\u00e9cie de &#8220;rodopio&#8221; eletr\u00f4nico pr\u00f3prio como os el\u00e9trons que rodeiam o n\u00facleo de um \u00e1tomo. Quando s\u00e3o estimulados por uma situa\u00e7\u00e3o ou evento, soltam uma rajada de energia e pulam sucessivos n\u00edveis at\u00e9 chegarem \u00e0 consci\u00eancia. Essa energia penetra na concha da consci\u00eancia do ego e inunda-a, influenciando-a assim para rodopiar na mesma dire\u00e7\u00e3o e descarregar parte da energia emocional que foi liberada por essa colis\u00e3o. Quando isso acontece, o ego perde por completo o controle da consci\u00eancia ou, quanto a isso, o do pr\u00f3prio corpo. A pessoa fica sujeita a descargas de energia que n\u00e3o est\u00e3o sob o controle do ego. O que o ego pode fazer, se for suficientemente forte, \u00e9 conter em si mesmo parte da energia do complexo e minimizar assim os s\u00fabitos impulsos emocionais e f\u00edsicos.\u201d<\/p>\n<p>Esse n\u00facleo onde \u201crodopia\u201d o complexo \u00e9 o arqu\u00e9tipo. Ele \u00e9 a base do complexo. Por isso existe uma infinidade de complexos, pois existem in\u00fameros arqu\u00e9tipos.<\/p>\n<p>Nossa psique, ent\u00e3o, \u00e9 composta de muitos centros, cada um deles possuidor de energia e at\u00e9 de alguma consci\u00eancia e inten\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Mas como lidar com os complexos que nos tomam?<\/p>\n<p>O ego da maioria das pessoas \u00e9 normalmente capaz de neutralizar, em certa medida, os efeitos de complexos.<\/p>\n<p>Essa capacidade serve aos interesses da adapta\u00e7\u00e3o e at\u00e9 da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Por exemplo, na vida profissional, \u00e9 essencial que coloquemos de lado os complexos pessoais no interesse do bom desempenho de suas tarefas.<\/p>\n<p>Os psicoterapeutas precisam ser capazes de colocar em segundo plano suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es e conflitos pessoais quando est\u00e3o atendendo seus pacientes.<\/p>\n<p>Para que sua presen\u00e7a seja eficaz em face de um paciente cuja vida est\u00e1 em total desordem, o terapeuta deve manter-se calmo e frio, ainda que esse seja um momento de caos na sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o conseguimos anular por completo o efeito dos complexos e por isso \u00e9 necess\u00e1rio muito autoconhecimento para conhecermos aquilo que nos toca profundamente e causa emo\u00e7\u00f5es fortes e descontroladas.<\/p>\n<p>Conforme Jung (2000) os complexos constituem objetos da experi\u00eancia interior e n\u00e3o podem ser encontrados em plena luz do dia, na rua ou em pra\u00e7as p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u00c9 dos complexos que depende o bem-estar ou a infelicidade de nossa vida pessoal.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 t\u00e3o importante estar ciente deles.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque os complexos n\u00e3o s\u00e3o totalmente de natureza m\u00f3rbida, mas manifesta\u00e7\u00f5es vitais pr\u00f3prias da psique, seja esta diferenciada ou primitiva.<\/p>\n<p>Portanto conhecer nossos complexos nos auxilia tamb\u00e9m a conhecer nossas potencialidades e talentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto Hellen Reis Mour\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bibliografia:<br \/>\nJUNG, C. G. A Natureza da Psique. Petr\u00f3polis: Vozes, 2000.<br \/>\nSTEIN, M. Jung \u2013 O Mapa da alma \u2013 Um Introdu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 comum ouvirmos \u2013 e falarmos tamb\u00e9m \u2013 que algu\u00e9m tem um complexo de inferioridade, ou de superioridade. 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