{"id":650,"date":"2017-08-07T00:07:46","date_gmt":"2017-08-07T00:07:46","guid":{"rendered":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/?p=650"},"modified":"2023-04-13T14:30:46","modified_gmt":"2023-04-13T14:30:46","slug":"o-livro-vermelho-de-jung-liber-novos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/o-livro-vermelho-de-jung-liber-novos\/","title":{"rendered":"O LIVRO VERMELHO DE JUNG \u2013 LIBER NOVOS"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>\u201cEnt\u00e3o, \u00e9 verdade que a alma dos que morrem est\u00e3o no Hades e regressam a este mundo para renascerem dos mortos, devemos pensar que as almas existem no al\u00e9m. Elas n\u00e3o poderiam renascer se n\u00e3o existissem. Podemos concluir que as almas dos mortos subsistem.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><em>F\u00e9don, Plat\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s ficar oculto durante setenta anos, eis que em 2010 foi lan\u00e7ado o t\u00e3o aguardado Livro Vermelho de Carl Gustav Jung.<\/p>\n<p>Jung finalizou o Livro Vermelho em 1930 e optou por n\u00e3o o publicar por se tratar de um conte\u00fado extremamente pessoal e por conter um material que era de dif\u00edcil alcance e entendimento da maioria das pessoas. Ele seria incompreendido. Na verdade, publicar o livro ou n\u00e3o, foi um questionamento constante durante toda a sua vida.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a sua morte, em 1961, a fam\u00edlia de Jung preferiu manter o livro guardado, pois n\u00e3o sabiam se o material seria bem aceito e se essa era a vontade de Jung.<\/p>\n<p>O livro Vermelho era alvo de curiosidade desde que Jung publicou Mem\u00f3rias, sonhos e reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 de in\u00edcio, o livro relata o confronto de Jung com o \u201cesp\u00edrito das profundezas\u201d, e como ele teve de abrir m\u00e3o de sua mente cientifica para experienciar a atividade de sua psique, para que o inconsciente pudesse se realizar em sua vida.<\/p>\n<p>Nesse contexto, Jung experiencia a solid\u00e3o, o afastamento dos amigos e a desorienta\u00e7\u00e3o atemporal. Essa viv\u00eancia, viria definir posteriormente como imagina\u00e7\u00e3o ativa.<\/p>\n<p>Jung narra sua descida aos infernos para encontrar sua alma, assim como Cristo e Nietzsche, em um processo de morte e renascimento.<\/p>\n<p>Ele narra seu encontro com sua alma, Sofia, que o levou, posteriormente, a definir, em sua obra, o conceito de anima e animus.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o rompimento com Freud e o movimento psicanal\u00edtico em 1914, seguiu-se uma torrente de sonhos e vis\u00f5es que forneceram material para o trabalho de toda uma vida. Jung precisou mergulhar nesse material que jorrava de seu inconsciente visando a integra\u00e7\u00e3o de seu conte\u00fado para que n\u00e3o sucumbisse a uma psicose.<\/p>\n<p>Esse material foi escrito nos Livros Negros e ent\u00e3o, compilados no Liber Novus.<\/p>\n<p>Muitos dizem que o confronto com o inconsciente e o consequente Livro Vermelho foi um resultado da uma crise provocada pela ruptura com Freud e a psican\u00e1lise. Mas isso n\u00e3o \u00e9 inteiramente verdade, pois Jung j\u00e1 tinha essas vis\u00f5es e sonhos desde sua inf\u00e2ncia. Na verdade, Jung se sente autorizado a entrar em contato com esse material, sentiu que era o momento propicio, e assim entra em contato com algo que j\u00e1 lhe pertencia.<\/p>\n<p>Em S\u00edmbolos da Transforma\u00e7\u00e3o (1986) ele relata uma necessidade imperiosa de entrar em contato com esse material e elaborar sua teoria. Para ele era uma urg\u00eancia a esse empreendimento. Sentia uma explos\u00e3o dos conte\u00fados an\u00edmicos que n\u00e3o encontravam lugar na estreiteza sufocante da filosofia de Freud.<\/p>\n<p>Para a composi\u00e7\u00e3o do Liber Novus, Jung recebeu influ\u00eancia de diversas obras e autores como Zaratustra, de Nietzsche, A divina com\u00e9dia, de Dante, Fausto, de Goethe. Al\u00e9m de Kant, Strauss e Schopenhauer.<\/p>\n<p>O Livro \u00e9 dividido em duas partes. Na primeira parte \u2013 chamada Liber Primus \u2013 Jung confessa ter perdido a sua alma. Ele buscou compreender a alma em seus estudos psiqui\u00e1tricos e em seu devotamento na compreens\u00e3o das doen\u00e7as mentais, por meio de uma mente cientifica.<\/p>\n<p>No Liber Primus ele diz: \u201ceu falava e pensava muita coisa da alma, sabia muitas palavras eruditas sobre ela, eu a analisei e fiz dela um objeto de ci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Ele diz que se afastou de sua verdade mais profunda: \u201ccheio de vaidade humana e cego pelo ousado esp\u00edrito dessa \u00e9poca, procurei por muito tempo manter afastado de mim aquele outro esp\u00edrito\u201d.<\/p>\n<p>Para Jung o \u201cesp\u00edrito da profundeza\u201d \u00e9 aquele que \u201cpossui, desde sempre e pelo futuro afora, maior poder que o esp\u00edrito dessa \u00e9poca que muda com as gera\u00e7\u00f5es\u201d. Assim ele entra em contato com uma camada profunda da psique humana, imut\u00e1vel, pr\u00e9-existente, que ele posteriormente viria chamar de inconsciente coletivo.<\/p>\n<p>O Livro Vermelho traz tamb\u00e9m o renascimento do divino interior, da transcend\u00eancia e da busca do significado. Principalmente no segundo livro onde Jung resgata o universo crist\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns textos do Livro tem um aspecto revelat\u00f3rio, escritos atrav\u00e9s de uma s\u00fabita revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas esse processo, Jung associa a uma descida ao inferno.<\/p>\n<p>O reencontro com sua alma (Anima) e o posterior contato com a divindade que morre e renasce (e que depois ele chama de Si-mesmo), \u00e9 compar\u00e1vel a uma crucifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Mysterium Coniuctionis (1997), Jung compara o encontro com a alma (que ele chama de anima no homem e animus na mulher), \u00e9 compar\u00e1vel a uma crucifica\u00e7\u00e3o. \u201c(\u2026) E uma imagem daquele que ama algu\u00e9m e seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 ferido de amor. Assim Cristo foi ferido na Cruz pelo amor \u00e0 Igreja. \u201d<\/p>\n<p>Jung sofreu esse processo de crucifica\u00e7\u00e3o e desmembramento, causado pela uni\u00e3o dos opostos, para que o Self se manifestasse em sua vida.<\/p>\n<p>E assim ele resgata a Mitologia de forma viva e encontra o seu mito pessoal.<\/p>\n<p>Cristo, Dioniso s\u00e3o o prot\u00f3tipo dessa descida simb\u00f3lica aos infernos, morte e renascimento. Psiqu\u00ea \u00e9 o equivalente feminino \u2013 e n\u00e3o menos doloroso.<\/p>\n<p>Para finalizar, Jung deixa claro que n\u00e3o deixou o Livro Vermelho como um modelo de individua\u00e7\u00e3o e que ningu\u00e9m deve seguir o que Jung viveu, mas buscar a sua maneira individual e \u00fanica de descer aos seus infernos e reencontrar sua alma perdida.<\/p>\n<p>Perdemos nossa alma em detrimento da vida moderna e do espirito da nossa \u00e9poca. Ou seja, dos valores dominantes de nossa sociedade.<\/p>\n<p>No limite dessa perda precisamos recuar, entrar na solid\u00e3o e em contato com um eu mais profundo, transcendente, al\u00e9m do ego.<\/p>\n<p>Essa solid\u00e3o e reencontro com a alma \u00e9 um sacrif\u00edcio do ego, do modo encarar a vida e uma entrega do controle eg\u00f3ico para algo maior.<\/p>\n<p>Uma descida aos infernos, um abandonar de formas seguras de se viver. Algo que beira a loucura. \u00c9 a solid\u00e3o consciente, mesmo em meio a vida di\u00e1ria e em meio aos outros.<\/p>\n<p>Nesse sacrif\u00edcio a crian\u00e7a divina nascer\u00e1, como s\u00edmbolo do Self, e da realiza\u00e7\u00e3o m\u00e1xima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n<p>JUNG, C.G.\u00a0<em>Mysterium Coniuctionis<\/em>. ed.Vozes. Petr\u00f3polis: 1997.<\/p>\n<p>JUNG, C.G.\u00a0<em>S\u00edmbolos da transforma\u00e7\u00e3o<\/em>. ed.Vozes. Petr\u00f3polis: 1986.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto: Hellen Reis Mour\u00e3o para o Instituto Freedom<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEnt\u00e3o, \u00e9 verdade que a alma dos que morrem est\u00e3o no Hades e regressam a este mundo para renascerem dos mortos, devemos pensar que as almas existem no al\u00e9m. 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