{"id":677,"date":"2018-06-24T00:23:47","date_gmt":"2018-06-24T00:23:47","guid":{"rendered":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/?p=677"},"modified":"2023-04-13T14:30:24","modified_gmt":"2023-04-13T14:30:24","slug":"a-influencia-de-nietzsche-na-obra-de-jung","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/a-influencia-de-nietzsche-na-obra-de-jung\/","title":{"rendered":"A INFLU\u00caNCIA DE NIETZSCHE NA OBRA DE JUNG"},"content":{"rendered":"<p>O psiquiatra sui\u00e7o Carl Gustav Jung (1875 \u2013 1961) carregava em si um consider\u00e1vel apre\u00e7o por\u00a0 Nietzsche e sua obra. Jung foi desenvolvendo e expandindo seu pensamento anal\u00edtico atrav\u00e9s das leituras e de um di\u00e1logo com as ideias reflexivas de Nietzsche.<\/p>\n<p>Jung estudou profundamente a obra de Nietzsche em seu confronto com o Inconsciente.<\/p>\n<p>De acordo com a enorme influ\u00eancia que Nietzsche tinha sobre Jung, examinaremos algumas posi\u00e7\u00f5es sobre o sofrimento e como o mesmo \u00e9 elaborado atrav\u00e9s da Psicologia Anal\u00edtica.<\/p>\n<p>Partiremos nossa reflex\u00e3o a partir do seguinte pensamento:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cO sofrimento n\u00e3o pode ser rejeitado.\u201d (Nietzche)<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Segundo Nietzsche, o sofrimento \u00e9 uma esp\u00e9cie de fonte para o nosso crescimento, n\u00e3o podemos rejeit\u00e1-lo de forma alguma, devemos acolh\u00ea-lo e utiliz\u00e1-lo como uma importante ferramenta de aprendizado em nossa jornada.<\/p>\n<p>Conforme o pensamento proposto por Nietzsche, temos que valorizar os momentos felizes de nossa exist\u00eancia para fazermos o contraste com os momentos de infelicidade. Sem a no\u00e7\u00e3o da tristeza, n\u00e3o ter\u00edamos no\u00e7\u00e3o da felicidade. Afinal, a tristeza e a alegria s\u00e3o elementos opostos que se complementam.<\/p>\n<p>Vejamos o que nos ensina Jung:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cA felicidade perderia seu significado se ela n\u00e3o fosse equilibrada pela tristeza.\u201d (Carl Gustav Jung).<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Quando o sofrimento bater \u00e0 nossa porta, devemos:<\/p>\n<ul>\n<li>Acolh\u00ea-lo;<\/li>\n<li>Observ\u00e1-lo;<\/li>\n<li>Aprender com ele.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, quando o sofrimento nos envolve, temos a tend\u00eancia de fugirmos. Na realidade, tal atitude, \u00e9 uma tentativa frustrada de escapar da realidade, como nos orienta Carl Gustav Jung:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cO que n\u00e3o enfrentamos em n\u00f3s mesmos, acabaremos encontrando como destino.\u201d (Carl Gustav Jung).<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Nietzsche, em vez de rejeitarmos a dor, devemos aprender com ela e assim, super\u00e1-la. N\u00e3o existe caminho sem dor. Quando ela surge, seja atrav\u00e9s de alguma perda ou por algum fracasso, devemos vivenci\u00e1-la, pois a supera\u00e7\u00e3o de um evento doloroso e n\u00e3o a fuga nos leva \u00e0 felicidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carl Gustav Jung nos deixou a seguinte reflex\u00e3o:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cO sofrimento precisa ser superado, e o \u00fanico meio de super\u00e1-lo \u00e9 suportando-o.\u201d (Carl Gustav Jung).<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Somos os her\u00f3is de nossa exist\u00eancia. Temos que nos esfor\u00e7ar para que todas as situa\u00e7\u00f5es que nos parecem horr\u00edveis possam produzir algo de belo e frut\u00edfero. Assim como Nietzsche, Jung acreditava que mesmo aqueles sentimentos mais inaceit\u00e1veis e negativos podem nos render belos frutos se forem bem cultivados.<\/p>\n<p>Para Nietzsche, as dificuldades s\u00e3o um mal necess\u00e1rio para a nossa evolu\u00e7\u00e3o. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o admitia o perfeccionismo. De acordo com sua forma de pensar, todos n\u00f3s somos imperfeitos e o reconhecimento de nossas imperfei\u00e7\u00f5es nos torna mais humildes e humanos.<\/p>\n<p>Veja este importante ensinamento deixado pelo mestre Jung:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cA totalidade n\u00e3o \u00e9 a perfei\u00e7\u00e3o, mas sim o ser completo. Pela assimila\u00e7\u00e3o da sombra, o homem como que assume seu corpo, o que traz para o foco da consci\u00eancia toda a sua esfera animal dos instintos, bem como a psique primitiva ou arcaica, que assim n\u00e3o se deixam mais reprimir por meio de fic\u00e7\u00f5es e ilus\u00f5es. E \u00e9 justamente isso que faz do homem o problema dif\u00edcil que ele \u00e9.\u201d (Carl Gustav Jung).<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pessoas que s\u00e3o dominadas pelo perfeccionismo perdem muito tempo observando erros e culpando os outros e principalmente, a si mesmo. Na maioria das vezes, elas perdem o controle quando suas falhas s\u00e3o reconhecidas.<\/p>\n<p>Quando assumimos as nossas imperfei\u00e7\u00f5es, tomamos a consci\u00eancia de que precisamos nos aprimorar e isso nos garante a ideia de que o erro nos impulsiona e nos ensina. Mais importante do que a busca pela falsa perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 a nossa disponibilidade de buscar o nosso aprimoramento, ou seja, melhorar cada vez mais, enfrentando nossas dores, acolhendo e suportando nossos sofrimentos e nos desenvolvendo ao longo de nossa jornada para a Individua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto: Evandro Rodrigo Trop\u00e9ia para o Instituto Freedom.<br \/>\nPsicoterapeuta<br \/>\nCRP: 06\/143949<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O psiquiatra sui\u00e7o Carl Gustav Jung (1875 \u2013 1961) carregava em si um consider\u00e1vel apre\u00e7o por\u00a0 Nietzsche e sua obra. 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