{"id":770,"date":"2017-01-30T04:10:20","date_gmt":"2017-01-30T04:10:20","guid":{"rendered":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/?p=770"},"modified":"2023-06-12T15:36:00","modified_gmt":"2023-06-12T15:36:00","slug":"o-amor-nos-contos-de-fadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/o-amor-nos-contos-de-fadas\/","title":{"rendered":"O AMOR NOS CONTOS DE FADAS"},"content":{"rendered":"<p>Ah, o amor! Quem ama ou j\u00e1 amou sabe o quanto isso \u00e9 dif\u00edcil. Afinal, o\u00a0encontro com o outro \u00e9 permeado de dificuldades, encantos e desencantos.<\/p>\n<p>Nos contos de fadas vemos retratada essa jornada com os dissabores e a luta necess\u00e1rios para o desenvolvimento da personalidade. A maioria deles sempre culmina em um casamento depois de uma jornada dolorosa que simboliza o desenvolvimento da personalidade do her\u00f3i ou hero\u00edna. Ou seja, o casamento \u00e9 sempre uma conquista \u00e1rdua.<\/p>\n<p>No conto a <strong>Donzela sem m\u00e3os<\/strong>, dos irm\u00e3os Grimm, por exemplo, a hero\u00edna passa duas vezes pela separa\u00e7\u00e3o do amado e te, duas celebra\u00e7\u00f5es de casamento. J\u00e1 em <strong>Rapunzel<\/strong>, h\u00e1 o encontro com o pr\u00edncipe e logo uma separa\u00e7\u00e3o onde ambos precisam viver no deserto at\u00e9 poderem se encontrar novamente.<\/p>\n<p>Os contos ent\u00e3o parecem mostrar que n\u00e3o d\u00e1 para encontrar assim de modo imediato o pr\u00edncipe e logo se casar com ele.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o acaba contradizendo os valores que nossa sociedade prega. Hoje damos muito valor ao amor rom\u00e2ntico e \u00e0 paix\u00e3o imediata. A entrega de corpo e alma logo no in\u00edcio \u00e9 supervalorizada e isso causa muitos transtornos nas rela\u00e7\u00f5es. Contudo, todos os encontros populares mostram que isso se passa depois de muitas provas.<\/p>\n<h2>O caminho para o amor<\/h2>\n<p>Existe um caminho a ser percorrido e algumas provas iniciais a serem superadas: no mito <strong>Eros e Psique<\/strong>, a mo\u00e7a passa por diversas tarefas impostas pela deusa do amor, Afrodite, para reencontrar seu amado.<\/p>\n<p>Essa dificuldade imposta pela deusa do Amor nos mostra que precisamos estar aptos para esse verdadeiro encontro. Parece que precisamos provar a ela que somos merecedores e estamos maduros para o verdadeiro amor.<\/p>\n<p>No conto de fadas dos irm\u00e3os Grimm, chamado A <strong>Princesa Enfeiti\u00e7ada<\/strong>, o jovem her\u00f3i precisa desvendar os enigmas proposto pela princesa que est\u00e1 sob o dom\u00ednio de um esp\u00edrito da montanha. Se n\u00e3o conseguir desvendar os enigmas ela ir\u00e1 mat\u00e1-lo, mas se conseguir se casar\u00e1 com ela. O jovem consegue, mas mesmo ap\u00f3s o casamento ainda precisa vencer um \u00faltimo obst\u00e1culo para enfim ter seu casamento consumado.<\/p>\n<p>Tanto os homens quanto as mulheres precisam vencer desafios para consumar seu amor.<\/p>\n<h2>O amor na psicologia anal\u00edtica<\/h2>\n<p>O amor para a psicologia anal\u00edtica \u00e9 um dos maiores catalisadores do processo de individua\u00e7\u00e3o. Aquele processo onde voc\u00ea se torna a si mesmo. Voc\u00ea se torna quem tem que ser. Por meio dele h\u00e1 o encontro com o outro, que nos transporta para uma dimens\u00e3o mais profunda de n\u00f3s mesmos. Por essa raz\u00e3o o amor \u00e9 pessoal, pois nos impulsiona a nos conhecermos melhor e a sairmos de casa em busca da autonomia.<\/p>\n<p>O primeiro encontro com algu\u00e9m \u00e9 permeado de ilus\u00f5es e fantasias sobre o outro. N\u00e3o enxergamos como o outro realmente \u00e9, mas como gostar\u00edamos que fosse. No amor, h\u00e1 uma dan\u00e7a que precisa ser feita, um cortejo inicial.<\/p>\n<p>Nos contos de fadas, os obst\u00e1culos, enigmas e desafios, que as princesas costumam impor aos pretendentes. \u00c9 como se ela quisesse que o futuro amado provasse seu valor e que ele est\u00e1 apto a entende-la.<\/p>\n<h2>A dor que nos habita<\/h2>\n<p>H\u00e1 um conto de fadas tibetano chamado <strong>Senhorita Madrep\u00e9rol<\/strong>a, onde a hero\u00edna Madrep\u00e9rola teve de dar aten\u00e7\u00e3o a parte ferida, fraca, abandonada e pobre de sua alma (representada por um mendigo, antes que pudesse se casar.<\/p>\n<p>As viv\u00eancias dolorosas, os desencantos e as trai\u00e7\u00f5es, parecem fazer esse servi\u00e7o para n\u00f3s, onde assim podemos ver nossas limita\u00e7\u00f5es e a dos outros e aceita-las.<\/p>\n<p>Os contos de fadas \u2013 como em Senhorita Madrep\u00e9rola e A <strong>Mulher esqueleto<\/strong> \u2013 nos mostram que precisamos nos relacionar com nosso lado fragilizado antes de nos relacionar de forma madura e mais plena.<\/p>\n<h2>A beleza do amor<\/h2>\n<p>Vemos nos contos de fadas que tamb\u00e9m h\u00e1 uma dan\u00e7a no momento da conquista do amor. No conto brasileiro chamado <strong>M\u00e3e d\u00b4\u00e1gua<\/strong>, o pobre pescador precisa fazer oferendas \u00e0 m\u00e3e d\u00b4\u00e1gua. Ela recebe algumas d\u00e1divas do rapaz, e mostra sua vaidade e beleza com isso.<\/p>\n<p>Isso mostra que \u00e9 vital para a mulher ouvir do homem que \u00e9 bonita e se sentir assim perto dele. Ela floresce e se sente pr\u00f3xima ao divino com isso.<\/p>\n<p>Esse conto mostra esse galanteio, que hoje por vezes \u00e9 banalizado. Observar essa dan\u00e7a de forma antiquada \u00e9 desconhecer a profundidade da psicologia do homem e da mulher. Ser vista pela sua beleza, por seu encanto \u00e9 algo que a mulher gosta de sentir e ouvir. Algo herdado da deusa do amor Afrodite por todas as mulheres. Todas elas sucumbem diante da deusa quando apaixonadas. Os homens gostam de sentir que s\u00e3o inteligentes e fortes o suficiente para agradar as mulheres, e assim provar que sabe agrada-la. Eles gostam de ouvir que sabem despertar na mulher algo que ningu\u00e9m mais soube.<\/p>\n<p>Portanto, para chegar ao casamento her\u00f3is e hero\u00ednas precisam fazer um rito de inicia\u00e7\u00e3o, observar seu lado fragilizado, amadurecer, superar complexos parentais, tornando assim a conquista do amor mais complexa e mais profunda e desmistificando o amor rom\u00e2ntico e impetuoso da sociedade de hoje.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n<p>BONAVENTURE, J.\u00a0<em>Varia\u00e7\u00f5es do tema mulher<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus,<\/p>\n<p>KAST, V.\u00a0<em>O amor nos contos de fadas \u2013 o anseio pelo outro<\/em>. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 2001.<\/p>\n<p>VON FRANZ, M. L.\u00a0<em>A interpreta\u00e7\u00e3o dos contos de fada.\u00a0<\/em>5 ed. Paulus. S\u00e3o Paulo: 2005.<\/p>\n<p>________________\u00a0<em>O feminino nos contos de fada<\/em>. Vozes. S\u00e3o Paulo: 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ah, o amor! 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