{"id":926,"date":"2020-09-24T18:00:42","date_gmt":"2020-09-24T18:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/?p=926"},"modified":"2023-04-13T14:29:37","modified_gmt":"2023-04-13T14:29:37","slug":"arquetipos-na-pratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/arquetipos-na-pratica\/","title":{"rendered":"Arqu\u00e9tipos na pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 na pr\u00e1tica que podemos observar a express\u00e3o arquet\u00edpica na vida do sujeito.<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 comum ouvirmos o termo \u201carqu\u00e9tipo\u201d no meio junguiano. Ocupa grande import\u00e2ncia e popularidade, mas voc\u00ea sabia que para sabermos que um arqu\u00e9tipo est\u00e1 constelado precisamos verificar isso na vida do indiv\u00edduo, na experi\u00eancia, nas emo\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Para nos referirmos ao arqu\u00e9tipo como express\u00e3o em uma interpreta\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que haja uma conex\u00e3o entre a imagem que aparece e a emo\u00e7\u00e3o que acontece para aquele indiv\u00edduo. Para ser uma express\u00e3o arquet\u00edpica \u00e9 necess\u00e1rio que a emo\u00e7\u00e3o esteja presente na experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo Jung (2016, p.122)<\/p>\n<blockquote><p>&#8230;a maneira pela qual os arqu\u00e9tipos aparecem na experi\u00eancia pr\u00e1tica: s\u00e3o ao mesmo tempo imagem e emo\u00e7\u00e3o; e s\u00f3 podemos nos referir a arqu\u00e9tipos quando esses dois aspectos se apresentam simultaneamente. Quando existe apenas a imagem, ela equivale a uma descri\u00e7\u00e3o de pouca import\u00e2ncia. Mas quando carregada de emo\u00e7\u00e3o, a imagem ganha numinosidade (ou energia ps\u00edquica) e torna-se din\u00e2mica, acarretando v\u00e1rias consequ\u00eancias.<\/p><\/blockquote>\n<p>O pragmatismo existente na psicologia anal\u00edtica aponta para que a experi\u00eancia confirme ou d\u00ea a dire\u00e7\u00e3o das interpreta\u00e7\u00f5es. As express\u00f5es arquet\u00edpicas s\u00e3o vistas na vida, v\u00e3o muito al\u00e9m de imagens desprovidas de experi\u00eancia. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel v\u00ea-las somente de forma universal, \u00e9 fundamental para a interpreta\u00e7\u00e3o o contexto de vida que a pessoa vivencia.<\/p>\n<blockquote><p>Sei que \u00e9 dif\u00edcil apreender esse conceito, j\u00e1 que estou tentando descrever com palavras uma coisa que, por natureza, n\u00e3o permite defini\u00e7\u00e3o precisa. Mas como muitas pessoas pretendem tratar os arqu\u00e9tipos como se fossem parte de um sistema mec\u00e2nico, que se pode aprender de cor, \u00e9 importante esclarecer que n\u00e3o s\u00e3o simples nomes ou conceitos filos\u00f3ficos. S\u00e3o por\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria vida \u2013 imagens integralmente ligadas ao individuo atrav\u00e9s de uma verdadeira ponte de emo\u00e7\u00f5es. Por isso \u00e9 imposs\u00edvel dar a qualquer arqu\u00e9tipo uma interpreta\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria (ou universal); ele precisa ser explicado de acordo com as condi\u00e7\u00f5es totais de vida daquele determinado individuo a quem o arqu\u00e9tipo se relaciona. Assim, no caso de um crist\u00e3o devoto, o s\u00edmbolo da cruz s\u00f3 deve ser interpretado no seu contexto crist\u00e3o \u2013 a n\u00e3o ser que o sonho forne\u00e7a uma raz\u00e3o muito forte para que se busque outra orienta\u00e7\u00e3o. E, mesmo nesse caso, deve-se ter em mente o sentido crist\u00e3o espec\u00edfico. Evidentemente, n\u00e3o se pode dizer que, em qualquer tempo ou circunstancia, o s\u00edmbolo da cruz ter\u00e1 a mesma significa\u00e7\u00e3o. Se fosse assim, perderia sua numinosidade e vitalidade para ser apenas uma simples palavra (JUNG, 2016, p 122).<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para interpretar a presen\u00e7a do arqu\u00e9tipo na vida do indiv\u00edduo, \u00e9 preciso ter sensibilidade para sintonizar-se com o assunto em quest\u00e3o e n\u00e3o apenas reparar no conjunto de conceitos mitol\u00f3gicos que podem aparecer, \u00e9 preciso enxergar a conex\u00e3o, n\u00e3o a pura intelectualidade sem discrimina\u00e7\u00e3o alguma, mas sim no significado para aquela pessoa.<\/p>\n<blockquote><p>As palavras tornam-se f\u00fateis quando n\u00e3o se sabe o que representam, e isso se aplica especificamente \u00e0 psicologia, onde se fala tanto de arqu\u00e9tipos como a <em>anima<\/em> e o <em>animus<\/em>, o homem s\u00e1bio, a M\u00e3e Grande etc. Pode se saber tudo a respeito de santos, s\u00e1bios, de profetas, de todos os homens-deuses e de todas as m\u00e3es-deusas adoradas mundo afora. Mas se s\u00e3o meras imagens, cujo poder numinoso nunca experimentamos, ser\u00e1 o mesmo que se falar como num sonho, pois n\u00e3o se sabe do que se fala. As pr\u00f3prias palavras que usamos ser\u00e3o vazias e destitu\u00eddas de valor. Elas s\u00f3 ganham sentido e vida quando se tenta levar em conta a sua numinosidade \u2013 isto \u00e9, a sua rela\u00e7\u00e3o com o indiv\u00edduo vivo. Apenas ent\u00e3o come\u00e7a-se a compreender que todos aqueles nomes significam muito pouco \u2013 tudo o que importa \u00e9 a maneira como est\u00e3o relacionados conosco (JUNG, 2016, p 122).<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>JUNG, Carl. <strong>O homem e seus s\u00edmbolos<\/strong>. Org. Carl Gustav Jung. Trad. Maria L\u00facia Pinho \u2013 3. Ed. \u2013 Rio de Janeiro: HarperColins Brasil, 2016<\/p>\n<p>Texto: Alessandra M. Esquillaro &#8211; CRP 06\/97347<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 na pr\u00e1tica que podemos observar a express\u00e3o arquet\u00edpica na vida do sujeito. Sim, \u00e9 comum ouvirmos o termo \u201carqu\u00e9tipo\u201d no meio junguiano. 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