{"id":930,"date":"2020-10-09T03:30:43","date_gmt":"2020-10-09T03:30:43","guid":{"rendered":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/?p=930"},"modified":"2023-04-13T14:29:35","modified_gmt":"2023-04-13T14:29:35","slug":"conteudos-psiquicos-reprimidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/conteudos-psiquicos-reprimidos\/","title":{"rendered":"Conte\u00fados ps\u00edquicos reprimidos"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 importante sabermos que durante o processo de desenvolvimento da consci\u00eancia do homem houve um distanciamento dos conte\u00fados ps\u00edquicos primitivos. Esses conte\u00fados, que a princ\u00edpio eram o pr\u00f3prio ser humano, foram distanciados pela mente consciente e ficaram armazenados no inconsciente. Podemos pensar que a mente consciente a que temos acesso hoje, habitualmente, n\u00e3o tem acesso \u00e0 essa parte mais primitiva.<\/p>\n<p>Segundo Jung (2016, p.124)<\/p>\n<blockquote><p>Num passado distante, essa mente original era <em>toda<\/em> a personalidade do homem. \u00c0 medida que ele desenvolveu a sua consci\u00eancia \u00e9 que sua mente foi perdendo contato com uma por\u00e7\u00e3o daquela energia ps\u00edquica primitiva. A mente consciente, portanto, jamais conheceu aquela mente original, rejeitada no pr\u00f3prio processo de desenvolvimento dessa consci\u00eancia diferenciada, a \u00fanica capaz de perceber tudo isso. Ainda assim parece que aquilo que chamamos de inconsciente guardou as caracter\u00edsticas primitivas que faziam parte da mente original.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na psicologia anal\u00edtica, consideramos fortemente a quest\u00e3o pessoal e coletiva, ligada ao desenvolvimento do homem como esp\u00e9cie e ao desenvolvimento individual, de cada hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Esses conte\u00fados primitivos podem ser flagrados atrav\u00e9s de s\u00edmbolos expressos nos sonhos, \u00e9 como se o inconsciente buscasse resgatar tudo o que foi abandonado durante o processo evolutivo, incluindo os instintos, as fantasias, imagens, formas de pensamentos arcaicos, entre outros (JUNG, 2016)<\/p>\n<p>A vis\u00e3o unilateral e limitada da consci\u00eancia pode tomar esses conte\u00fados muitas vezes como meras express\u00f5es sem sentido que habitam a grande imagina\u00e7\u00e3o da mente, e \u201capenas\u201d isso, enxergando-os como despidos de grande import\u00e2ncia para o decorrer dos acontecimentos da vida. Mas essa vis\u00e3o \u00e9 bastante err\u00f4nea e prejudica fortemente a compreens\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de partes do \u201ctodo\u201d do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Muitas vezes vemos tamb\u00e9m um medo subjacente de aproximar-se de conte\u00fados inconscientes, o medo do desconhecido. E h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o para isso, \u201cEsses conte\u00fados sobreviventes n\u00e3o s\u00e3o neutros ou ap\u00e1ticos; ao contr\u00e1rio, est\u00e3o de tal maneira carregados de energia que \u00e0s vezes n\u00e3o se limitam a causar mal-estar, chegando a provocar um medo real. E quanto mais reprimidos, mais se irradiam pela personalidade inteira, sob a forma de neurose\u201d (JUNG, 2016, p 124).<\/p>\n<p>A neurose \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o observada em decorr\u00eancia de forte repress\u00e3o de conte\u00fados importantes, tanto pessoais quanto coletivos. \u00c9 preciso se ater a isso.<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 como se um homem, tendo atravessado um per\u00edodo de inconsci\u00eancia, de repente descobrisse que h\u00e1 um hiato na sua mem\u00f3ria durante o qual lhe parece terem acontecido coisas importantes de que n\u00e3o se pode lembrar. Na medida em que acredita que a psique \u00e9 um assunto estritamente pessoal (e \u00e9 nisso que geralmente se cr\u00ea), esse homem vai tentar recuperar as suas lembran\u00e7as de inf\u00e2ncia, aparentemente perdidas. Mas esses hiatos nas suas recorda\u00e7\u00f5es de crian\u00e7a s\u00e3o apenas sintomas de uma perda muito maior \u2013 a perda da psique primitiva. Assim como a evolu\u00e7\u00e3o do embri\u00e3o reproduz as etapas da pr\u00e9-hist\u00f3ria, tamb\u00e9m a mente se desenvolve por uma s\u00e9rie de etapas pr\u00e9-hist\u00f3ricas. A tarefa principal dos sonhos no n\u00edvel dos nossos instintos mais primitivos. Em certos casos tais reminisc\u00eancias podem exercer um efeito terap\u00eautico not\u00e1vel, como Freud j\u00e1 assinalou h\u00e1 muito tempo. Essa observa\u00e7\u00e3o confirma o ponto de vista de que um hiato nas lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia (a chamada amn\u00e9sia) representa uma perda importante, e sua recupera\u00e7\u00e3o pode trazer acentuada melhoria de vida e bem-estar (JUNG, 2016, p 124).<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>JUNG, Carl. <strong>O homem e seus s\u00edmbolos<\/strong>. Org. Carl Gustav Jung. Trad. Maria L\u00facia Pinho \u2013 3. Ed. \u2013 Rio de Janeiro: HarperColins Brasil, 2016<\/p>\n<p>Texto: Alessandra M. Esquillaro &#8211; CRP 06\/97347<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 importante sabermos que durante o processo de desenvolvimento da consci\u00eancia do homem houve um distanciamento dos conte\u00fados ps\u00edquicos primitivos. Esses conte\u00fados, que a princ\u00edpio eram o pr\u00f3prio ser humano,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":931,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[249,43,17,109,44,49,48,191,248],"class_list":["post-930","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-psicologia-analitica","tag-analise-junguiana","tag-carl-gustav-jung","tag-carl-jung","tag-curso-de-psicologia-analitica-junguiana","tag-inconsciente","tag-inconsciente-coletivo","tag-inconsciente-pessoal","tag-o-homem-e-seus-simbolos","tag-simbolo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=930"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":933,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930\/revisions\/933"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/931"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutofreedom.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}